Síndrome Nefrótica na Pediatria: Complicações e Manejo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menina, 3 anos de idade, foi levada ao PS apresentando edema generalizado progressivo há 2 dias e urina espumosa, com antecedente de infecção de vias aéreas há uma semana. Negava outras alterações. Considerando o diagnóstico mais provável, além de infecções, quais são as complicações mais frequentes que podem ocorrer neste paciente?

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo e hipofosfatemia.
  2. B) Insuficiência cardíaca e hipocalcemia.
  3. C) Insuficiência cardíaca e hipofosfatemia.
  4. D) Tromboembolismo e hipocalcemia.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica → ↑ Risco Trombótico (perda ATIII) + ↓ Cálcio (perda carreadores).

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica cursa com perda urinária de proteínas reguladoras, resultando em um estado de hipercoagulabilidade e redução de íons ligados à albumina.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica na infância, frequentemente causada pela Doença de Lesões Mínimas, é definida por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A fisiopatologia envolve a perda da barreira de seletividade glomerular, permitindo a passagem de proteínas de médio peso molecular para a urina. Clinicamente, o manejo foca na remissão da proteinúria com corticoterapia, mas o médico deve estar atento às complicações agudas. O estado pró-trombótico exige vigilância para trombose de veia renal e embolia pulmonar, enquanto as alterações hidroeletrolíticas demandam monitorização cuidadosa para evitar erros diagnósticos em relação ao cálcio sérico e função renal.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre tromboembolismo na síndrome nefrótica?

O tromboembolismo ocorre devido a um estado de hipercoagulabilidade multifatorial. A perda urinária de proteínas anticoagulantes naturais, como a antitrombina III e as proteínas S e C, associada ao aumento da síntese hepática de fatores pró-coagulantes (fibrinogênio) e ao aumento da agregação plaquetária pela hipoalbuminemia, eleva significativamente o risco de eventos trombóticos venosos e arteriais.

Qual a causa da hipocalcemia nestes pacientes?

A hipocalcemia na síndrome nefrótica é primariamente uma redução do cálcio total devido à hipoalbuminemia severa, já que grande parte do cálcio circula ligado à albumina. Além disso, pode haver perda urinária da proteína carreadora de vitamina D, levando a uma deficiência de 25-hidroxivitamina D, o que prejudica a absorção intestinal de cálcio.

Quais são as outras complicações frequentes além das citadas?

Além de tromboembolismo e distúrbios metabólicos, as infecções são complicações críticas, especialmente por germes encapsulados como o Streptococcus pneumoniae. Isso ocorre devido à perda urinária de imunoglobulinas (IgG) e fatores do sistema complemento, além do uso de terapia imunossupressora para o controle da doença de base.

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