Síndrome Nefrótica Pediátrica: Fisiopatologia do Edema

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menina, 2 anos e 6 meses, com quadro de edema em face ao acordar, relatado pela mãe, com edema também em membros inferiores no final do dia. Associado a isso apresenta aumento do volume abdominal e diminuição do volume urinário. Exame de urina I evidenciando proteinúria ++++ e hematúria +. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de um paciente hipervolêmico por síndrome mista.
  2. B) Trata-se de um paciente hipervolêmico por aumento da pressão oncótica.
  3. C) Trata-se de um paciente hipovolêmico por diminuição da pressão oncótica.
  4. D) Trata-se de um paciente hipovolêmico por aumento da pressão oncótica.
  5. E) Trata-se de um paciente com volemia dentro dos padrões normais.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica → proteinúria maciça → hipoalbuminemia → ↓ pressão oncótica → extravasamento líquido → hipovolemia intravascular.

Resumo-Chave

Na síndrome nefrótica, a proteinúria maciça leva à hipoalbuminemia, que diminui a pressão oncótica plasmática. Isso causa extravasamento de líquido para o interstício (edema, ascite) e, paradoxalmente, hipovolemia intravascular, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona e levando à oligúria.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária >2), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. É a doença glomerular mais comum na infância, com a maioria dos casos sendo de doença de lesões mínimas, que geralmente responde bem a corticosteroides. A fisiopatologia do edema na síndrome nefrótica é complexa. A perda maciça de albumina na urina resulta em hipoalbuminemia, o que diminui a pressão oncótica plasmática. Essa redução da pressão oncótica favorece o extravasamento de líquido do compartimento intravascular para o interstício, causando edema generalizado (facial, membros inferiores, ascite). Paradoxalmente, a diminuição do volume intravascular efetivo (hipovolemia) ativa mecanismos compensatórios, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o hormônio antidiurético, levando à retenção de sódio e água pelos rins, o que agrava o edema e contribui para a oligúria. O manejo visa controlar o edema, prevenir complicações e tratar a doença de base.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo principal do edema na síndrome nefrótica?

O edema na síndrome nefrótica é causado pela proteinúria maciça, que leva à perda de albumina na urina (hipoalbuminemia). A baixa concentração de albumina no sangue diminui a pressão oncótica plasmática, permitindo que o líquido extravase dos vasos para o espaço intersticial.

Por que um paciente com síndrome nefrótica pode ser hipovolêmico apesar do edema?

Apesar do edema generalizado, o volume intravascular efetivo pode estar diminuído (hipovolemia) porque o líquido se desloca do compartimento intravascular para o interstício devido à baixa pressão oncótica. Isso pode levar à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e oligúria.

Qual a importância da proteinúria ++++ na síndrome nefrótica?

A proteinúria ++++ indica uma perda significativa de proteínas na urina, um critério diagnóstico chave para a síndrome nefrótica. É a causa direta da hipoalbuminemia e, consequentemente, do edema e da hipovolemia intravascular.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo