Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Um menino de três anos de idade, previamente hígido, foi levado ao pronto-socorro com queixa de edema generalizado há três dias e urina espumosa com volume diminuído, sem hematúria. Ao exame físico, apresentou anasarca, ascite e pressão arterial normal para a idade. Exames laboratoriais mostraram: albumina: 2 g/dL; índice proteinúria/creatininúria igual a 3,2; creatinina sérica igual a 0,7 mg/dL; e ureia igual a 80 mg/dL. Hemograma sem anormalidades. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
Criança com edema, proteinúria nefrótica e hipoalbuminemia = Síndrome Nefrótica → Prednisona diária.
O quadro clínico de edema generalizado, urina espumosa, hipoalbuminemia e proteinúria maciça em uma criança de 3 anos é altamente sugestivo de Síndrome Nefrótica, sendo a forma de Lesões Mínimas a mais comum nessa faixa etária. O tratamento inicial de escolha é a corticoterapia diária.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É a glomerulopatia mais comum na infância, com a doença de lesões mínimas respondendo por cerca de 80-90% dos casos em crianças pré-escolares. A importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida da criança devido ao edema e às complicações associadas, como infecções e trombose. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a tríade de edema generalizado, urina espumosa e exames que confirmam proteinúria nefrótica e hipoalbuminemia. A suspeita deve surgir em qualquer criança com edema inexplicável, especialmente periorbital e em membros inferiores, que evolui para anasarca. O tratamento inicial da síndrome nefrótica em crianças é a corticoterapia com prednisona diária. A maioria das crianças com doença de lesões mínimas responde bem a este regime, entrando em remissão. Medidas de suporte como dieta hipossódica, restrição hídrica e diuréticos podem ser usadas para controlar o edema, mas não substituem a terapia específica. O prognóstico é geralmente bom para a doença de lesões mínimas, mas recaídas são comuns e exigem manejo cuidadoso.
Os critérios diagnósticos para síndrome nefrótica em crianças incluem proteinúria maciça (índice proteinúria/creatininúria > 2 mg/mg ou proteinúria > 40 mg/m²/h), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia.
O tratamento inicial de escolha para a síndrome nefrótica em crianças, especialmente na faixa etária pré-escolar onde a doença de lesões mínimas é predominante, é a corticoterapia com prednisona diária em dose imunossupressora (ex: 60 mg/m²/dia ou 2 mg/kg/dia) por 4 a 6 semanas.
A biópsia renal não é indicada inicialmente na maioria das crianças com síndrome nefrótica, especialmente aquelas entre 1 e 10 anos de idade com características típicas. É reservada para casos atípicos, como idade < 1 ano ou > 10 anos, hematúria macroscópica, hipertensão arterial grave, disfunção renal persistente, ou não resposta à corticoterapia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo