MedEvo Simulado — Prova 2026
Um menino de 3 anos de idade é levado ao pronto atendimento com quadro de edema progressivo iniciado há cinco dias. A mãe relata que o inchaço começou nas pálpebras, sendo mais notável ao acordar, mas que agora a criança apresenta aumento do volume abdominal e edema em membros inferiores. Não há história de hematúria, febre ou infecções recentes. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, afebril, com pressão arterial de 95/60 mmHg (dentro do percentil para a idade). Observa-se edema palpebral bilateral, ascite moderada e edema de membros inferiores (3+/4+), sem outras alterações. Os exames laboratoriais revelam: Urina 1 com proteínas 4+, ausência de cilindros hemáticos ou leucocitúria; relação proteína/creatinina urinária de 4,2; albumina sérica de 1,7 g/dL; colesterol total de 320 mg/dL; creatinina de 0,4 mg/dL; e níveis de complemento C3 e C4 normais. Com base na principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial mais adequada é:
Edema + Proteinúria maciça + C3 normal em criança → Iniciar Prednisona 60mg/m²/dia.
A Doença de Lesões Mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica na infância, caracterizada por proteinúria seletiva e excelente resposta a corticoides, sem necessidade inicial de biópsia.
A síndrome nefrótica na infância é definida pela tríade de proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema. A fisiopatologia envolve a perda da barreira de seletividade de carga e tamanho no glomérulo, resultando em perda massiva de albumina. Na Doença de Lesões Mínimas, a microscopia óptica costuma ser normal, mas a eletrônica revela fusão dos processos podocitários. Clinicamente, o manejo foca na redução do edema e na indução da remissão com corticosteroides. O uso de diuréticos deve ser cauteloso devido ao risco de hipovolemia intravascular efetiva. A normalidade do complemento é um divisor de águas diagnóstico, afastando glomerulonefrites pós-infecciosas ou lúpicas. O prognóstico da DLM é geralmente excelente, embora recidivas sejam comuns.
A DLM deve ser a principal suspeita em crianças entre 1 e 10 anos que apresentam síndrome nefrótica pura, caracterizada por edema progressivo (frequentemente periorbitário e em membros inferiores), proteinúria maciça (relação proteína/creatinina > 2), hipoalbuminemia e hiperlipidemia. Um dado fundamental para o diagnóstico clínico é a ausência de hematúria macroscópica, hipertensão arterial ou insuficiência renal significativa, além de níveis normais de complemento (C3 e C4). Como a DLM responde por cerca de 80-90% dos casos nessa faixa etária, a conduta padrão é o início imediato de corticoterapia sem a necessidade de biópsia renal prévia, que fica reservada para casos atípicos ou cortico-resistentes.
O tratamento de primeira linha para a síndrome nefrótica idiopática na infância é a Prednisona (ou Prednisolona) na dose de 60 mg/m²/dia ou 2 mg/kg/dia (dose máxima de 60 mg/dia). Este esquema deve ser mantido por um período de 4 a 6 semanas. Após esse período inicial, se houver remissão da proteinúria, inicia-se o desmame gradual com a administração em dias alternados (40 mg/m² ou 1,5 mg/kg) por mais 4 a 6 semanas. É crucial monitorar os efeitos colaterais do corticoide, como ganho de peso, estrias, hipertensão e alterações de comportamento, além de garantir a profilaxia adequada contra infecções e monitoramento da densidade óssea em tratamentos prolongados.
A biópsia renal não é indicada rotineiramente no primeiro episódio de síndrome nefrótica em crianças típicas. As indicações formais incluem: idade menor que 1 ano ou maior que 10 anos (onde outras etiologias como GESF ou nefropatia membranosa são mais comuns), presença de hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial grave, insuficiência renal não explicada pela hipovolemia, ou níveis baixos de complemento (C3/C4). Além disso, a biópsia é mandatória em pacientes que não apresentam remissão da proteinúria após 4 a 8 semanas de corticoterapia em dose plena (corticorresistência) ou naqueles que apresentam recidivas frequentes com necessidade de terapias imunossupressoras de segunda linha.
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