Síndrome Nefrótica em Crianças: Diagnóstico e Tratamento

HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 6 anos, sexo feminino, foi levada ao pediatra por sua mãe devido a lesões notáveis em torno dos olhos e tornozelos. Exames laboratoriais revelam hipoalbuminemia e urinálise mostra proteinúria significativa. Diante dessas informações e dos sintomas, o diagnóstico e tratamento mais prováveis são:

Alternativas

  1. A) É provável que a criança tenha uma infecção urinária causando seus sintomas e ela deva ser tratada com antibióticos.
  2. B) É provável que a criança tenha doença por lesões mínimas, a forma mais comum de síndrome nefrótica em crianças, e possa responder bem aos corticosteroides.
  3. C) A hipoalbuminemia e a proteinúria são indicativos de insuficiência renal aguda, e a criança deve iniciar a diálise imediatamente.
  4. D) É provável que a criança tenha nefrite lúpica, uma forma rara de síndrome nefrótica em crianças, e deva ser tratada com imunossupressores.

Pérola Clínica

Criança com edema, hipoalbuminemia e proteinúria maciça → Síndrome Nefrótica (DLM), tratar com corticosteroide.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica em crianças é classicamente apresentada com edema (periorbital, membros inferiores), hipoalbuminemia e proteinúria maciça. A doença por lesões mínimas é a causa mais comum na faixa etária pediátrica e tem excelente resposta aos corticosteroides.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a doença por lesões mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos. A DLM é uma glomerulopatia primária idiopática, mais frequente entre 2 e 6 anos de idade, e sua importância reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações. A fisiopatologia da síndrome nefrótica envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina (proteinúria). A hipoalbuminemia resultante diminui a pressão oncótica plasmática, causando extravasamento de líquido para o interstício e formação de edema, que é o sintoma mais proeminente (periorbital, membros inferiores, ascite). O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a biópsia renal sendo reservada para casos atípicos ou refratários. O tratamento da doença por lesões mínimas é primariamente com corticosteroides (prednisona), aos quais a maioria das crianças responde bem, alcançando remissão completa. Em casos de resistência ou dependência a esteroides, outras terapias imunossupressoras podem ser consideradas. O manejo inclui também o controle do edema com diuréticos e restrição de sódio, e a prevenção de complicações como infecções e trombose.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios incluem proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária >2 mg/mg), hipoalbuminemia (<2.5 g/dL), edema e hiperlipidemia.

Por que a doença por lesões mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças?

A doença por lesões mínimas é idiopática e representa cerca de 80-90% dos casos de síndrome nefrótica em crianças, sendo caracterizada por fusão dos podócitos à microscopia eletrônica, sem alterações visíveis à microscopia óptica.

Qual é o tratamento de primeira linha para a doença por lesões mínimas?

O tratamento de primeira linha são os corticosteroides (prednisona oral), com a maioria das crianças apresentando remissão completa em poucas semanas.

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