Síndrome Nefrótica Infantil: Complicações e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021

Enunciado

Pré-escolar de 5 anos, sexo masculino, é levado para atendimento médico-hospitalar com história de edema em face há 1 semana, evoluindo nas últimas 48h com edema em membros inferiores. Genitora nega qualquer outra queixa. Ao exame, apresenta-se corado, hidratado, afebril, eupneico, orientado, com edema bipalpebral bilateral e em membros inferiores (2+/4+). Auscultas cardíaca e respiratória normais, FC: 108 bpm, FR: 24 ipm, PA: 90x70 mmHg (Percentil 95 de PA: 110x82 mmHg). Exame abdominal: sem alterações.Diante da hipótese diagnóstica mais provável, podemos afirmar que

Alternativas

  1. A) o diagnóstico pode ser confirmado através das seguintes alterações nos exames laboratoriais: relação proteína/creatinina urinária > 2 e albumina sérica < 3,5g/dL.
  2. B) o principal tipo histológico na infância é lesão histológica mínima, seguido da glomerulonefrite membranoproliferativa.
  3. C) a hiperlipidemia e a hipocomplementemia são achados clássicos da doença.
  4. D) há maior propensão a infecções, sobretudo de vias aéreas superiores, de pele e a peritonites.
  5. E) o tratamento habitual consiste em dieta hipossódica, diurético e corticoterapia prolongada (mínimo de 4 semanas).

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica infantil → edema + proteinúria maciça + hipoalbuminemia + hiperlipidemia. Complicações: infecções (peritonite), trombose.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica na infância, predominantemente por lesão histológica mínima, cursa com proteinúria maciça que leva à hipoalbuminemia e edema. A perda de imunoglobulinas e fatores do complemento na urina, juntamente com o uso de corticosteroides, aumenta o risco de infecções bacterianas, especialmente peritonite espontânea por pneumococo.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina >2), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. A forma mais prevalente é a doença de lesão histológica mínima, responsável por cerca de 80% dos casos em crianças. É crucial reconhecer seus sinais para um diagnóstico e tratamento precoces. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando na perda de proteínas plasmáticas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, não exigindo biópsia renal na maioria dos casos de primeira apresentação em crianças, dada a alta probabilidade de lesão mínima. A suspeita deve surgir em qualquer criança com edema inexplicado. O tratamento inicial consiste em corticoterapia (prednisona), dieta hipossódica e, por vezes, diuréticos. As complicações são frequentes e incluem infecções (peritonite bacteriana espontânea, celulite, sepse), trombose (devido à perda de antitrombina III), dislipidemia e desnutrição. A prevenção e o manejo dessas complicações são pilares do cuidado, com atenção especial à vacinação e profilaxia em casos selecionados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da síndrome nefrótica em crianças?

Os sinais clássicos incluem edema (periorbital, membros inferiores, ascite), proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia.

Por que crianças com síndrome nefrótica têm maior risco de infecções?

O risco aumentado de infecções deve-se à perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento, disfunção de linfócitos T e ao uso de corticosteroides.

Qual é a complicação infecciosa mais comum e grave na síndrome nefrótica?

A peritonite bacteriana espontânea, frequentemente causada por Streptococcus pneumoniae, é uma complicação infecciosa grave e comum.

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