Síndrome Nefrótica Pediátrica: Diagnóstico e Manejo Inicial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos idade, previamente hígido, iniciou há 2 semanas edema progressivo membros inferiores, com evolução para face e genital. O quadro edematoso é mais intenso pela manhã e apresenta certa melhora ao longo do dia. Nega redução do volume urinário, lesões de pele. Exame clínico, além do edema depressível em membros inferiores, apresenta ausculta cardíaca com hipofonese bulhas, ausculta respiratória com murmúrio reduzido em bases, abdome globoso e com sub-macicez móvel à percussão. Os exames iniciais contemplam: Hb 12,5 g/dl Ht 37%, leuco 12000/L, plaquetas 430000/L, VHS 1ª hora - 30 mm, Uréia 30 mg/dL, Creatinina 0,5 mg/dL, Albumina 1,8 g/dL, Colesterol total 550 mg/dL. Urina I - proteinúria 3+, leucocitúria 1000/mL, hematúria 5000/mL, cilindros hialinos presentes. Assinale a principal hipótese diagnóstica e tratamento inicial proposto:

Alternativas

  1. A) Glomerulonefrite pós estreptocócica; restrição hídrica, repouso absoluto e furosemida.
  2. B) Síndrome nefrótica primária por lesão mínima; dieta hipogordurosa, hipossódica e corticosteroide.
  3. C) Síndrome mista; Corticosteroide, furosemida e repouso.
  4. D) Síndrome nefrótica secundária – Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil; Dieta hipogordurosa, hipossódica e corticosteroide.

Pérola Clínica

Criança com edema generalizado + hipoalbuminemia + hipercolesterolemia + proteinúria maciça → Síndrome Nefrótica Primária.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica primária, especialmente por lesão mínima em pré-escolares, manifesta-se com edema generalizado devido à proteinúria maciça e hipoalbuminemia. O tratamento inicial com corticosteroides é a pedra angular, acompanhado de medidas dietéticas.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das nefropatias mais comuns na infância, com a forma por lesão mínima respondendo por cerca de 80-90% dos casos em crianças pré-escolares. É uma condição caracterizada por um aumento da permeabilidade da membrana basal glomerular, resultando em proteinúria maciça, que leva à hipoalbuminemia, edema generalizado, hiperlipidemia e, por vezes, hipercoagulabilidade. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações. A fisiopatologia da síndrome nefrótica por lesão mínima envolve uma disfunção dos podócitos, que perdem sua carga negativa e sua capacidade de filtrar seletivamente as proteínas, permitindo a passagem de grandes quantidades de albumina para a urina. Clinicamente, o edema é o sinal mais proeminente, iniciando-se nas pálpebras e membros inferiores e podendo evoluir para anasarca, ascite e derrame pleural. A presença de proteinúria 3+ na urina I, hipoalbuminemia e hipercolesterolemia são achados laboratoriais típicos. O tratamento inicial da síndrome nefrótica por lesão mínima é com corticosteroides, sendo a prednisona o fármaco de escolha. A maioria das crianças responde bem a essa terapia, entrando em remissão. Medidas de suporte incluem restrição de sódio na dieta para controle do edema, e em casos de edema grave, diuréticos. A monitorização de complicações como infecções e tromboses é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios incluem proteinúria maciça (relação proteína/creatinina urinária >2 ou proteinúria >50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia.

Qual o tratamento inicial para a síndrome nefrótica por lesão mínima em crianças?

O tratamento inicial consiste em corticosteroides (prednisona oral em dose imunossupressora), associado a dieta hipossódica e, em alguns casos, diuréticos para controle do edema e estatinas para hiperlipidemia.

Como diferenciar a síndrome nefrótica da glomerulonefrite pós-estreptocócica?

A síndrome nefrótica apresenta proteinúria maciça e edema proeminente, enquanto a glomerulonefrite pós-estreptocócica é caracterizada por hematúria macroscópica, hipertensão e oligúria, com proteinúria menos intensa.

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