SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Menina de 3 anos, previamente hígida, apresenta edema de face há 3 dias, com piora progressiva, acompanhada de mal-estar, dor abdominal e inapetência. Mãe nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico, está em regular estado geral, corada, desidratada +/4, afebril, taquipneica leve, com edema periorbitário 2+/4 e pressão arterial de 80 x 40 mmHg. Auscultas pulmonar e cardíaca normais. Abdome: globoso, flácido, com fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, ascite +/4. Restante do exame normal. A análise do sedimento urinário revelou pH = 5,5, densidade de 1 020, glicose ausente, proteína 2+/4, eritrócitos = 10 mil/mm3, leucócitos = 15 mil/mm3, cilindros +/4, nitrito negativo.A principal suspeita diagnóstica é:
Criança com edema generalizado, proteinúria 2+/4 e ascite → Síndrome Nefrótica.
O quadro clínico de edema progressivo, especialmente periorbitário, associado a ascite e proteinúria significativa em uma criança previamente hígida é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A ausência de hematúria macroscópica e hipertensão arterial afasta a glomerulonefrite difusa aguda como primeira hipótese.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma das doenças renais mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e dislipidemia. A idade de 3 anos é um pico de incidência, e a apresentação clássica com edema periorbitário, que progride para anasarca, é um forte indicativo. O quadro clínico da paciente, com edema de face progressivo, ascite e proteinúria 2+/4 na urina, é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A ausência de febre, a pressão arterial normal (ou até baixa devido à hipovolemia relativa) e a presença de cilindros na urina (que podem ser hialinos ou granulosos, indicando proteinúria) reforçam essa hipótese. A desidratação, apesar do edema, pode ocorrer devido à perda de volume intravascular para o terceiro espaço. O principal diferencial é a glomerulonefrite difusa aguda (GNDA), mas esta geralmente cursa com hematúria macroscópica, hipertensão arterial e edema menos proeminente. A insuficiência cardíaca e hepática aguda são menos prováveis, pois as auscultas cardíaca e pulmonar são normais e não há outros sinais de disfunção hepática primária. O tratamento inicial da síndrome nefrótica idiopática (doença de lesões mínimas) é com corticosteroides.
Os critérios incluem proteinúria maciça (>40 mg/m²/h ou relação proteína/creatinina urinária >2), hipoalbuminemia (<2,5-3,0 g/dL), edema generalizado e dislipidemia.
A síndrome nefrótica se manifesta com proteinúria maciça, edema proeminente e ausência de hematúria macroscópica ou hipertensão significativa. A GNDA, por outro lado, tipicamente apresenta hematúria (macroscópica ou microscópica), hipertensão e edema mais leve.
A causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças é a doença de lesões mínimas, responsável por cerca de 80-90% dos casos, caracterizada por boa resposta a corticosteroides.
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