Síndrome Nefrótica Pediátrica: Critérios de Internação

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 4 anos de idade, trazido ao pronto-socorro devido a dor abdominal, diarreia e oligúria. Os pais relatam inchaço progressivo há 3 semanas, após ter apresentado infecção de vias aéreas superiores. Ao exame clínico, paciente pálido com edema testicular e periorbitário, sem outras alterações. Pais observam que a criança está 4kg acima de seu peso habitual. Solicitado exame de urina que revelou: relação proteína/creatinina = 2,5 e micro-hematúria; ureia: 35; creatinina: 1,2; albumina sérica: 2,1 g/dL; Hb: 12,0; Ht 45%; Leucócitos de 12.000, com 56% de segmentados, sem desvios. Concluiu-se pelo diagnóstico de Síndrome Nefrótica. O conjunto de dados aponta para potencial risco, justificando internação hospitalar. Assinale a alternativa cujos dados justificam tal indicação:

Alternativas

  1. A) Leucocitose; anemia
  2. B) Idade < 6 anos; hipoalbuminemia
  3. C)  Edema testicular; hemoconcentração
  4. D) Primeira descompensação; hipoalbuminemia

Pérola Clínica

SN pediátrica com edema grave (testicular/escrotal) ou hemoconcentração ↑ → internação para manejo de complicações.

Resumo-Chave

A Síndrome Nefrótica em crianças pode cursar com complicações graves que justificam internação. Edema extenso, como o testicular ou escrotal, indica extravasamento significativo de líquido para o terceiro espaço. A hemoconcentração, por sua vez, eleva o risco de eventos tromboembólicos, uma complicação séria da SN.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrótica (SN) é uma glomerulopatia caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É mais comum em crianças, com pico de incidência entre 2 e 6 anos, sendo a forma de lesões mínimas a mais frequente. Sua importância clínica reside nas complicações que podem surgir, como infecções, trombose, insuficiência renal aguda e desequilíbrios hidroeletrolíticos. O diagnóstico da SN é clínico-laboratorial, baseado na tríade de proteinúria nefrótica (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina >2), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL) e edema. A suspeita deve surgir em crianças com edema progressivo, especialmente periorbitário e em membros inferiores. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda proteica. O tratamento inicial visa controlar o edema e a proteinúria, geralmente com corticosteroides. A internação hospitalar é indicada em casos de complicações graves, como edema extenso e refratário (anasarca, edema escrotal/testicular grave), hemoconcentração (risco de trombose), infecções graves (peritonite bacteriana espontânea), insuficiência renal aguda ou hipovolemia grave. O prognóstico varia conforme a resposta ao tratamento e a presença de recidivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta na Síndrome Nefrótica pediátrica que indicam internação?

Sinais de alerta incluem edema extenso e refratário (anasarca, edema escrotal/testicular grave), hemoconcentração, infecções graves (peritonite bacteriana espontânea), insuficiência renal aguda ou hipovolemia grave.

Por que a hemoconcentração é um risco na Síndrome Nefrótica?

A hemoconcentração na Síndrome Nefrótica é um fator de risco significativo para eventos tromboembólicos, devido à perda de antitrombina III na urina e ao aumento da viscosidade sanguínea.

Qual a importância do edema testicular ou escrotal na Síndrome Nefrótica?

O edema testicular ou escrotal indica um extravasamento significativo de líquido para o terceiro espaço, refletindo a gravidade do edema e o risco de complicações como infecções ou comprometimento da circulação local.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo