Síndrome Nefrótica Pediátrica: Quando Indicar Biópsia Renal

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Menino, 7 anos de idade, é internado em Hospital de Referência com quadro de edema peri-orbitário há 3 dias, que evoluiu para membros inferiores e abdome. Relata inapetência, dejeções amolecidas (4 vezes ao dia) e urina espumosa. Exame físico mostra Temperatura: 36,4°C; FR: 26ipm; FC: 90bpm; PA: 128x85mmHg. Regular estado geral, corado; abdome globoso, referindo dor que impede a palpação profunda. Observa-se edema em bolsa escrotal e membros inferiores. Os exames laboratoriais: Proteínas Totais: 5,0mg/dl; Albumina: 2,4g/dl; Globulinas: 2,6mg/dl; Proteinúria de 24 horas: 1,4g; Colesterol Total: 240mg/dl. Indique a alternativa que apresenta, dentre os critérios listados, aqueles que, quando presentes, justificam a realização de biópsia renal. 1) Febre. 2) Oligúria. 3) Hematúria. 4) Hipertensão arterial. 5) Duas recidivas em 6 meses.

Alternativas

  1. A) 1, 2 e 5
  2. B) 1, 3 e 4.
  3. C) 2, 3 e 4.
  4. D) 3, 4 e 5.

Pérola Clínica

Biópsia renal em síndrome nefrótica pediátrica é indicada em casos atípicos: hematúria macroscópica, hipertensão persistente, idade < 1 ou > 12 anos, ou resistência/recidivas frequentes.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica em crianças é frequentemente de lesões mínimas e responde bem a corticosteroides. No entanto, a presença de sinais atípicos como hematúria macroscópica, hipertensão arterial persistente, idade fora da faixa típica (1-12 anos) ou recidivas frequentes/resistência ao tratamento, justifica a realização de biópsia renal para identificar outras causas e guiar a terapia.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica pediátrica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos ocorre entre 1 e 6 anos de idade, sendo a doença de lesões mínimas a causa mais frequente. A importância clínica reside no manejo do edema e na prevenção de complicações como infecções e tromboses. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina. O diagnóstico é clínico e laboratorial. A maioria das crianças com síndrome nefrótica responde bem ao tratamento com corticosteroides (síndrome nefrótica corticossensível). No entanto, a biópsia renal é fundamental para guiar o tratamento e determinar o prognóstico em casos atípicos. Os critérios para biópsia renal incluem idade de início < 1 ano ou > 12 anos, presença de hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial persistente, hipocomplementemia, insuficiência renal, ausência de resposta aos corticosteroides (corticorresistência) ou recidivas muito frequentes (duas ou mais em 6 meses, ou quatro ou mais em 1 ano). A biópsia permite identificar outras glomerulopatias, como glomeruloesclerose segmentar e focal ou nefropatia membranosa, que exigem abordagens terapêuticas diferentes e têm prognóstico distinto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios incluem proteinúria maciça (> 40 mg/m²/h ou > 3,5 g/dia em adultos), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. A urina espumosa e o edema são sinais clínicos comuns.

Por que a biópsia renal não é rotineiramente realizada na síndrome nefrótica pediátrica?

A maioria dos casos de síndrome nefrótica em crianças (cerca de 80-90%) é causada por doença de lesões mínimas, que tem um curso benigno e responde bem ao tratamento com corticosteroides. A biópsia é invasiva e geralmente reservada para casos atípicos.

Quais são os principais critérios que justificam a biópsia renal na síndrome nefrótica pediátrica?

Os principais critérios incluem idade < 1 ano ou > 12 anos, hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial persistente, hipocomplementemia, insuficiência renal, ausência de resposta aos corticosteroides (corticorresistência) ou recidivas muito frequentes.

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