Síndrome Nefrótica Infantil: Diagnóstico e Achados Laboratoriais

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um menino de cinco anos de idade foi levado ao ambulatório com queixa de inchaço progressivo em face e no corpo inteiro há cerca de dez dias. Sua mãe refere urina espumosa, com diminuição do volume, e diarreia líquida há dois dias. Nega outros antecedentes mórbidos. Ao exame físico, apresenta-se em anasarca e com intenso edema de bolsa escrotal. Os exames laboratoriais revelam hipoalbuminemia de 1,6 g/dL, creatinina de 1 mg/dL e ureia de 70 mg/dL. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A proteinúria de 30 mg/kg/dia confirmaria o diagnóstico de síndrome nefrótica. 
  2. B) A hipercolesterolemia é um achado comum.
  3. C) Há indicação de diuréticos de alta potência para o controle do edema.
  4. D) A etiologia mais provável é a glomerulosclerose segmentar e focal. 
  5. E) Não há evidências claras de benefícios no uso de corticosteroide.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica infantil: edema + hipoalbuminemia + proteinúria maciça. Hipercolesterolemia é achado comum.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica em crianças é caracterizada por edema generalizado (anasarca), hipoalbuminemia, proteinúria maciça e hiperlipidemia. A hipercolesterolemia é um achado comum devido ao aumento da síntese hepática de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia e à perda de proteínas plasmáticas.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal comum na pediatria, caracterizada por uma tétrade clínica e laboratorial: edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. O caso clínico apresentado, com menino de cinco anos, anasarca, edema escrotal, urina espumosa e hipoalbuminemia de 1,6 g/dL, é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A compreensão de seus mecanismos fisiopatológicos e achados é crucial para o diagnóstico e manejo adequados. A proteinúria maciça, que leva à perda de albumina na urina e consequente hipoalbuminemia, é o evento central. A hipoalbuminemia reduz a pressão oncótica plasmática, resultando em extravasamento de líquido para o espaço intersticial e formação de edema. A hiperlipidemia, incluindo a hipercolesterolemia, é uma resposta hepática à hipoalbuminemia e à perda de proteínas, com aumento da síntese de lipoproteínas e diminuição de seu catabolismo. O tratamento inicial da síndrome nefrótica em crianças, especialmente na Doença de Lesões Mínimas (a etiologia mais comum), baseia-se no uso de corticosteroides, que são altamente eficazes na indução da remissão. O manejo do edema com diuréticos deve ser cauteloso, devido ao risco de hipovolemia intravascular. Residentes devem estar atentos aos critérios diagnósticos, às complicações potenciais (como infecções e tromboses) e ao manejo terapêutico, que inclui a monitorização da função renal e dos eletrólitos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças incluem edema generalizado, proteinúria maciça (geralmente > 50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) e hiperlipidemia. A urina espumosa é um sinal clínico sugestivo de proteinúria.

Por que a hipercolesterolemia é um achado comum na síndrome nefrótica?

A hipercolesterolemia ocorre na síndrome nefrótica devido à hipoalbuminemia, que estimula o fígado a aumentar a síntese de lipoproteínas, incluindo o colesterol. Além disso, há uma redução no catabolismo das lipoproteínas, contribuindo para o acúmulo.

Qual a etiologia mais provável da síndrome nefrótica em crianças?

Em crianças, a etiologia mais provável da síndrome nefrótica é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos. A DLM é caracterizada pela ausência de alterações histopatológicas significativas na biópsia renal, exceto por fusão dos podócitos à microscopia eletrônica.

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