HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2025
João, 7 anos, está internado em um Hospital de uma pequena cidade do interior aonde você chega para dar plantão. Ao passar a visita na enfermaria você percebe que ele está com edema generalizado, pálido, com frequência cardíaca de 120 bpm, PA: 120 x80 (acima do percentil 95 para sexo, idade e percentil da altura). Ele está sem acompanhante no momento e você lê as evoluções anteriores no prontuário e vê os resultados de exames até agora. Este é o 3º dia de internação, a queixa que motivou a internação foi “inchaço” há 5 dias, com diminuição da quantidade de urina. Exames: hemoglobina 9,5, leucócitos e plaquetas normais. Ureia 36, creatinina :0,8; sódio: 134; potássio:4,8 Urina:pH : 6,0; Densidade: 1020, Hemoglobina +++. Proteína ++ Hemácias >100.000/mm3, Leucócitos: 20.000/mm³. Qual a sua principal hipótese e que exames solicitaria para complementar a investigação?
Edema + proteinúria + hematúria + hipertensão em criança: Nefrítica vs. Nefrótica (biópsia renal para confirmação).
Embora o quadro clínico de João apresente características mistas (edema, hipertensão, hematúria e proteinúria), a opção C sugere síndrome nefrótica. Nesses casos, a quantificação da proteinúria (amostra isolada ou 24h) e a biópsia renal são essenciais para o diagnóstico etiológico e manejo.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal comum na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Embora a maioria dos casos seja de doença de lesões mínimas, com boa resposta a corticoides, é fundamental reconhecer as apresentações atípicas e as formas resistentes que podem indicar outras glomerulopatias. O diagnóstico inicial baseia-se na tríade de edema, proteinúria e hipoalbuminemia. A investigação inclui exames laboratoriais para quantificar a proteinúria, avaliar a função renal, eletrólitos e perfil lipídico. A distinção entre síndrome nefrótica e nefrítica é crucial, sendo a nefrítica caracterizada por hematúria, hipertensão e oligúria, embora apresentações mistas possam ocorrer. O tratamento da síndrome nefrótica primária geralmente envolve corticosteroides. Em casos de resistência, recaídas frequentes ou características atípicas, a biópsia renal torna-se essencial para determinar a histopatologia e guiar terapias imunossupressoras mais específicas. O manejo das complicações, como infecções e trombose, também é um pilar do cuidado.
A síndrome nefrótica é caracterizada por edema generalizado, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. Pode haver oligúria e, em alguns casos, hematúria microscópica.
A proteinúria é avaliada inicialmente por fita reagente e confirmada por quantificação em amostra de urina isolada (relação proteína/creatinina) ou em coleta de 24 horas.
A biópsia renal é indicada em casos de síndrome nefrótica congênita, em crianças menores de 1 ano ou maiores de 12 anos, em casos de resistência a corticoides, ou quando há características atípicas como hematúria macroscópica persistente, hipertensão grave ou disfunção renal significativa.
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