Síndrome Nefrótica Infantil: Diagnóstico e Manejo Inicial

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 5 anos de idade é avaliado no pronto-socorro por edema facial, principalmente periorbitário, e de membros inferiores há 3 semanas. Ao exame físico, apresenta FC 120 bpm, FR 35 irpm, PA 110x70mmHg. Ausculta pulmonar reduzida em terço inferior do hemitórax direito e edema de genitália importante, sem sinais de infecção secundária no momento. A análise urinária mostra uma relação proteinúria/creatininúria em amostra isolada de urina de 5, com albumina sérica de 1,2mg/dL. Qual é a conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Dieta hipossódica, iniciar corticoterapia, iniciar vasodilatador como inibidor dos canais de cálcio, indicar biópsia renal imediatamente.
  2. B) Dieta hipossódica, iniciar corticoterapia, realizar infusão de albumina associada a diurético.
  3. C) Dieta hipossódica, iniciar corticoterapia, fazer dose de penicilina benzatina, iniciar diurético de alça, indicar biópsia renal quando estável.
  4. D) Dieta hipersódica, iniciar corticoterapia, realizar infusão de albumina associada a diurético, indicar biópsia renal imediatamente.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica infantil → Edema + proteinúria maciça + hipoalbuminemia. Conduta: Corticoterapia + dieta hipossódica + albumina com diurético.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro clássico de síndrome nefrótica em criança, com edema generalizado, proteinúria maciça e hipoalbuminemia. A conduta inicial inclui corticoterapia para induzir remissão, dieta hipossódica para controle do edema e, em casos de edema grave e hipovolemia, infusão de albumina seguida de diurético.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica em crianças é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A forma mais comum na infância é a doença de lesões mínimas, que geralmente responde bem à corticoterapia. O edema é a manifestação clínica mais proeminente, podendo ser generalizado e grave, levando a complicações como infecções e tromboses. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a identificação dos quatro pilares: edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. A avaliação da relação proteinúria/creatininúria em amostra isolada de urina é um método prático para quantificar a proteinúria. A conduta inicial visa controlar o edema e induzir a remissão da proteinúria. O tratamento envolve dieta hipossódica, corticoterapia (prednisona em doses imunossupressoras) e, em casos de edema grave ou hipovolemia, infusão de albumina intravenosa seguida de diurético de alça para otimizar a diurese e reduzir o risco de sobrecarga volêmica. A biópsia renal é reservada para casos atípicos ou não respondedores à corticoterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os pilares diagnósticos são edema generalizado (especialmente periorbitário e de membros inferiores), proteinúria maciça (relação proteinúria/creatininúria > 2 ou proteinúria > 40 mg/m²/h), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) e hiperlipidemia.

Por que a infusão de albumina é indicada na síndrome nefrótica e como deve ser administrada?

A infusão de albumina é indicada para casos de edema grave e hipovolemia, visando aumentar a pressão oncótica intravascular e mobilizar o líquido do interstício. Deve ser administrada lentamente, seguida de um diurético de alça para promover a diurese e evitar sobrecarga volêmica.

Qual a importância da corticoterapia no tratamento da síndrome nefrótica pediátrica?

A corticoterapia (geralmente prednisona) é a terapia de primeira linha para induzir a remissão na maioria dos casos de síndrome nefrótica em crianças, especialmente na doença de lesões mínimas, que é a causa mais comum.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo