SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020
Paciente de quatro anos, do sexo feminino, apresenta-se com síndrome nefrótica. É feita biópsia renal, sem achados anormais à microscopia óptica ou ao exame por imunofluorescência. Nesse caso, qual achado à microscopia eletrônica provavelmente será encontrado nesta biópsia?
Síndrome nefrótica infantil + biópsia normal MO/IF → Apagamento podocitário ME.
A síndrome nefrótica em crianças, especialmente na idade pré-escolar, é mais comumente causada pela Doença de Lesões Mínimas, que se caracteriza por proteinúria maciça sem alterações visíveis à microscopia óptica ou imunofluorescência, mas com apagamento difuso dos processos podocitários à microscopia eletrônica.
A síndrome nefrótica em crianças é uma condição clínica caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A causa mais comum de síndrome nefrótica primária na faixa etária pediátrica, especialmente em crianças pré-escolares (2 a 6 anos), é a Doença de Lesões Mínimas (DLM). Esta condição é frequentemente diagnosticada com base na apresentação clínica e na resposta ao tratamento com corticosteroides, mas a biópsia renal pode ser indicada em casos atípicos ou resistentes. Quando uma biópsia renal é realizada em um paciente pediátrico com síndrome nefrótica e não revela achados anormais à microscopia óptica (MO) ou ao exame por imunofluorescência (IF), a suspeita de Doença de Lesões Mínimas é reforçada. Nesses casos, a patologia reside em um nível ultraestrutural. A microscopia eletrônica (ME) é crucial para o diagnóstico definitivo, pois revela o achado característico da DLM: o apagamento difuso e a fusão dos processos podocitários. Essa alteração nos podócitos, células essenciais da barreira de filtração glomerular, é responsável pela perda da seletividade e pela proteinúria maciça. Para residentes, é fundamental compreender que a ausência de alterações em MO e IF não exclui patologia glomerular. A DLM é um exemplo clássico onde a lesão é submicroscópica, exigindo a ME para sua identificação. O tratamento inicial da DLM é com corticosteroides, e a maioria das crianças responde bem, entrando em remissão. A compreensão da fisiopatologia e dos achados histopatológicos é vital para o manejo adequado e para diferenciar a DLM de outras causas de síndrome nefrótica.
A síndrome nefrótica em crianças manifesta-se por edema generalizado (anasarca), proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), hiperlipidemia e, por vezes, lipidúria.
A Doença de Lesões Mínimas (DLM) é a causa mais comum de síndrome nefrótica primária em crianças, responsável por 80-90% dos casos em menores de 10 anos. Sua etiologia é desconhecida, mas acredita-se em disfunção de linfócitos T que liberam citocinas que afetam a barreira de filtração glomerular.
Na DLM, a microscopia óptica e a imunofluorescência são geralmente normais. A microscopia eletrônica revela o achado patognomônico de apagamento difuso e fusão dos processos podocitários, que é a base da perda da seletividade da barreira de filtração e da proteinúria.
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