IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023
Um paciente do sexo masculino, com 6 anos de idade, apresenta queixa de edema de face há 15 dias, o qual progrediu para abdome e para membros inferiores há 7 dias. Ele relata diminuição do volume urinário e urina com aspecto de espuma. Nega quadro de febre, artralgia e cefaleia. Antecedentes pessoais: infecções de vias aéreas de repetição. Antecedentes familiares: avó materna com hipertensão arterial. Ao exame físico na entrada do pronto-socorro, apresenta bom estado geral, edema em face bipalpebral, acianótico, afebril, eupneico, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações, abdome com ascite, sem visceromegalias, membros inferiores com edema bilateral de 2+/4+. Além disso, apresenta peso de 26 Kg (seu peso anterior ao edema era 19 de Kg), estatura de 110 cm, pressão arterial de 80 mmHg x 40mmHg. Foram realizados exames laboratoriais, que apresentaram hemograma normal, função renal normal, urina 1 com proteína 4+, albumina sérica de 2,0 g/dL.Com base no caso clínico apresentado, assinale a alternativa correta.
Síndrome Nefrótica Pediátrica = edema generalizado, proteinúria maciça (4+), hipoalbuminemia, e tratamento inicial com corticoides.
O quadro clínico de edema generalizado, urina espumosa, proteinúria 4+ e hipoalbuminemia (albumina sérica 2,0 g/dL) é clássico de síndrome nefrótica. Em crianças, a síndrome nefrótica é geralmente idiopática (doença de lesões mínimas) e responde bem a corticoides, sendo o tratamento inicial empírico com prednisona. A biópsia renal é reservada para casos atípicos ou refratários.
A síndrome nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais frequente é a síndrome nefrótica idiopática, geralmente devido à doença de lesões mínimas, que tem um excelente prognóstico e boa resposta ao tratamento com corticoides. O quadro clínico típico inclui edema generalizado (facial, abdominal, membros inferiores), ganho de peso e urina espumosa. O diagnóstico é estabelecido pela presença de proteinúria maciça (geralmente 4+ na fita reagente ou >50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), e edema. A função renal e o hemograma costumam ser normais. É fundamental diferenciar da glomerulonefrite pós-estreptocócica, que apresenta hematúria, hipertensão e proteinúria menos intensa. A pressão arterial no caso apresentado (80x40 mmHg) é hipotensão para a idade, o que pode ocorrer devido à hipovolemia relativa pela perda de volume intravascular para o terceiro espaço. O tratamento inicial da síndrome nefrótica idiopática em crianças é com corticoides (prednisona oral), geralmente por um período prolongado. A maioria das crianças responde bem, entrando em remissão. A biópsia renal é reservada para casos atípicos, como idade de início fora da faixa usual (muito jovem ou adolescente), não resposta aos corticoides, ou presença de outras manifestações como hematúria macroscópica persistente ou hipertensão grave. O manejo inclui também restrição de sódio e, em alguns casos, diuréticos para controle do edema.
Os critérios incluem proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou 4+ na urina 1), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. A presença desses achados é fundamental para o diagnóstico.
A maioria dos casos em crianças é de doença de lesões mínimas, que responde bem aos corticoides, levando à remissão da proteinúria e do edema. A prednisona oral é a primeira linha de tratamento.
A biópsia é indicada em casos de síndrome nefrótica congênita, idade <1 ano ou >12 anos, não respondedores a corticoides, ou presença de sinais atípicos como hematúria macroscópica persistente, hipertensão grave ou disfunção renal.
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