Síndrome Nefrótica Pediátrica: Diagnóstico e Exames Iniciais

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024

Enunciado

Menino, 6 anos previamente hígido, foi internado com queixa de edema generalizado iniciado há 5 dias associado a oligúria e tosse discreta. Nega febre, colúria ou outros sintomas. Ao exame físico: Hipocorado, hidratado, acianótico, edema de face. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. FC: 85 bpm. PA: 134/92 mmHg. FR: 22 irpm, SpO2: 98%. TAX 36,6°C. Abdome globoso com cicatriz umbilical plana. Quais exames devem ser solicitados inicialmente para definição diagnóstica?

Alternativas

  1. A) EAS, albumina sérica, perfil lipídico, C3.
  2. B) EAS, C3 e C4, ultrassom de abdome total.
  3. C) EAS + urocultura, ultrassom de abdome total, ureia e creatinina, C4.
  4. D) EAS + urocultura, C3 e C4, ureia e creatinina.

Pérola Clínica

Edema generalizado + oligúria em criança → Suspeitar Síndrome Nefrótica. Exames iniciais: EAS, albumina sérica, perfil lipídico, C3.

Resumo-Chave

Uma criança com edema generalizado e oligúria deve levantar a suspeita de síndrome nefrótica. Os exames iniciais para confirmação diagnóstica incluem EAS (para proteinúria), albumina sérica (para hipoalbuminemia), perfil lipídico (para hiperlipidemia) e C3 (para diferenciar de nefrite).

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica pediátrica é uma das doenças renais mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. O edema generalizado, como o descrito no caso, é frequentemente o sintoma inicial que leva os pais a procurar atendimento médico, sendo crucial para o residente reconhecer essa apresentação. O diagnóstico da síndrome nefrótica é clínico e laboratorial. Os exames iniciais essenciais incluem o Exame de Urina Simples (EAS) para detectar proteinúria, a dosagem de albumina sérica para confirmar hipoalbuminemia, e o perfil lipídico para identificar hiperlipidemia. A dosagem do complemento (C3 e C4) é vital para diferenciar a síndrome nefrótica (onde geralmente são normais) de outras glomerulopatias, como a síndrome nefrítica, que podem cursar com consumo de complemento. A maioria dos casos de síndrome nefrótica em crianças é de doença de lesões mínimas, que responde bem a corticosteroides. No entanto, a investigação completa é importante para excluir outras causas e guiar o tratamento. A monitorização da pressão arterial e da função renal (ureia e creatinina) também são importantes para avaliar complicações e o estado geral do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios clássicos incluem proteinúria maciça (≥ 50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária > 2), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia.

Por que o EAS é fundamental na suspeita de síndrome nefrótica?

O EAS (Exame de Urina Simples) revela a presença de proteinúria, que é o achado laboratorial cardinal da síndrome nefrótica, indicando perda de proteínas pela urina.

Qual a importância de solicitar o C3 e C4 na investigação de edema em crianças?

Os níveis de complemento (C3 e C4) ajudam a diferenciar a síndrome nefrótica (geralmente com C3 e C4 normais) de síndromes nefríticas, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que cursam com consumo de C3.

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