USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente de 8 anos, sexo feminino, admitida no pronto-socorro com queixa de edema em face e membros inferiores e redução da diurese há cerca de uma semana. Ao exame clínico, regular estado geral, hidratada, corada. Notado edema em face e membros inferiores, FC 108 bpm, FR 23 irpm, PA 138x94 mmHg, restante do exame sem alterações. Sorologias negativas para HIV e hepatites. Resultados dos exames iniciais apresentados. Podemos afirmar que a paciente tem indicação de:
Síndrome nefrótica infantil + hipertensão/idade atípica/complemento baixo = investigar causas secundárias.
Em crianças, a síndrome nefrótica é geralmente idiopática (doença de lesões mínimas) e responde bem a corticoides. No entanto, a presença de sinais atípicos como hipertensão, idade fora do comum (<1 ou >12 anos), ou complemento sérico baixo, indica a necessidade de investigar causas secundárias antes de iniciar o tratamento empírico.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal comum na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Na maioria das crianças (cerca de 80-90%), a causa é idiopática, sendo a doença de lesões mínimas a histologia mais frequente, com excelente resposta à corticoterapia. O tratamento inicial geralmente é empírico com corticosteroides. No entanto, é crucial identificar os casos que podem ter uma causa secundária ou uma forma histológica diferente da doença de lesões mínimas, pois estes podem não responder ao tratamento padrão e exigir abordagens específicas. Sinais de alerta ('red flags') que indicam a necessidade de uma investigação mais aprofundada, incluindo biópsia renal, são: idade de início < 1 ano ou > 12 anos, presença de hipertensão arterial significativa, hematúria macroscópica ou microscópica persistente, níveis baixos de complemento sérico (C3 ou C4), disfunção renal grave ou evidência de doença sistêmica (como lúpus eritematoso sistêmico, hepatites, HIV). A paciente do caso apresenta hipertensão arterial (PA 138x94 mmHg) e idade de 8 anos, o que, embora não seja uma idade 'típica' para lesões mínimas (pico entre 2-6 anos), a hipertensão é um sinal de alerta importante. A questão não fornece dados sobre hematúria ou complemento, mas a hipertensão já é suficiente para levantar a suspeita de uma causa secundária ou uma forma mais grave de glomerulonefrite, justificando a ampliação da investigação antes de iniciar o corticoide.
Os critérios incluem proteinúria maciça (> 40 mg/m²/h ou relação proteína/creatinina urinária > 2), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia.
A biópsia renal é indicada em casos atípicos, como idade < 1 ano ou > 12 anos, presença de hipertensão arterial persistente, hematúria macroscópica ou microscópica persistente, complemento sérico baixo, ou ausência de resposta à corticoterapia após 4-8 semanas.
Sinais de alerta incluem idade atípica, hipertensão, hematúria, complemento sérico baixo, disfunção renal grave, e sinais de doença sistêmica (ex: lúpus, hepatites). Estes indicam a necessidade de ampliar a investigação.
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