Síndrome Nefrótica na Infância: Diagnóstico e Conduta Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma criança de 8 anos de idade é admitida na Emergência com quadro de edema generalizado e diminuição do volume urinário com 4 dias de evolução. Ao exame físico: PA = 100 X 60 mmHg; edema bipalpebral, abdominal e de membros inferiores. Presença de ascite discreta. Ausculta cardíaca e pulmonar sem anormalidades. O exame de urina mostrou: leucócitos: 10.000/mL, hemácias 8.000/mL, proteinúria 3+/4; relação proteína/creatinina urinária = 3,5; perfil lipídico: colesterol total = 450 mg /dL (valor de referência < 200 mg /dL) e triglicérides = 700 mg /dL (valor de referência < 150 mg /dL), albuminemia = 2,4 g /dL (valor de referência > 4 g /dL). Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta inicial indicada é:

Alternativas

  1. A) Furosemida IV e internação hospitalar.
  2. B) Ciclosporina VO e coleta de proteinúria de 24 horas.
  3. C) Albumina IV e retorno em 24 horas para reavaliação clínica.
  4. D) Indometacina VO e observação rigor osa no Pronto-Socorro.
  5. E) Prednisona VO e encaminhamento ao ambulatório de Nefrologia Pediátrica.

Pérola Clínica

Edema + Proteinúria maciça + Hipoalbuminemia + Hiperlipidemia = Síndrome Nefrótica.

Resumo-Chave

A conduta inicial em quadros de anasarca grave visa o manejo volêmico e segurança clínica antes da corticoterapia definitiva, especialmente em casos de ascite e edema bipalpebral.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância. A fisiopatologia envolve o aumento da permeabilidade da membrana basal glomerular, levando à perda maciça de proteínas. Isso resulta em queda da pressão oncótica, extravasamento de líquido para o terceiro espaço e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, perpetuando o edema. O manejo inicial foca na estabilização clínica, restrição hídrica e sódica, e uso criterioso de diuréticos. A biópsia renal geralmente é reservada para casos atípicos, como crianças fora da faixa etária habitual (menores de 1 ano ou maiores de 10-12 anos) ou corticorresistentes.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos da Síndrome Nefrótica na pediatria?

A síndrome nefrótica é definida pela tríade de proteinúria maciça (relação proteína/creatinina urinária > 2 ou proteinúria de 24h > 40 mg/m²/h), hipoalbuminemia (geralmente < 2,5 g/dL) e edema. A hiperlipidemia é um achado frequente associado à estimulação hepática de lipoproteínas devido à baixa pressão oncótica plasmática.

Por que a internação e o uso de furosemida são indicados neste caso?

A internação é necessária devido à gravidade do edema (anasarca com ascite) e à diminuição do volume urinário, o que aumenta o risco de complicações como insuficiência renal pré-renal, infecções (peritonite bacteriana espontânea) e desconforto respiratório. A furosemida IV auxilia na redução da sobrecarga volêmica e controle do edema.

Qual a principal causa de Síndrome Nefrótica em crianças de 8 anos?

A Doença de Lesões Mínimas (DLM) é responsável por cerca de 80-90% dos casos de síndrome nefrótica idiopática na infância. Caracteriza-se pela fusão dos processos podocitários na microscopia eletrônica e costuma apresentar excelente resposta à corticoterapia com prednisona.

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