UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Pré-escolar de 6 anos de idade apresenta quadro de edema generalizado há 5 dias. Mãe relata urina em volume normal, clara e espumosa. Realizou os seguintes exames: dosagem de albumina sérica= 1,5 g/dL (valor de referência 3,5-5,5), colesterol total= 350 mg/dL (valor de referência 170-199), C4= 22 mg/dL (valor de referencia 16-38), C4=110 g/dL (Valor de referencia 90-180), análise de urina= proteínas +++, ausência de hemácias, ausência de hemoglobina, proteinúria de 24 horas= 2.600 mg/24 horas. Nesse contexto, as opções terapêuticas abaixo podem ser adotadas, EXCETO:
Síndrome nefrótica em criança: edema + proteinúria maciça + hipoalbuminemia + hipercolesterolemia. Restrição hídrica NÃO é conduta inicial.
O paciente apresenta quadro clássico de síndrome nefrótica (edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia). A restrição hídrica não é uma conduta inicial e rotineira, pois o edema é devido à hipoalbuminemia e não à hipervolemia primária.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É a glomerulopatia mais comum na infância, sendo a doença de lesões mínimas a causa mais frequente. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir complicações e melhorar o prognóstico. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando em perda maciça de proteínas na urina. A hipoalbuminemia resultante leva à diminuição da pressão oncótica plasmática, causando extravasamento de fluido para o interstício e edema. A hipovolemia intravascular secundária ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, contribuindo para a retenção de sódio e água. O tratamento inicial da síndrome nefrótica é a corticoterapia. Outras medidas incluem dieta hipossódica para controle do edema, reposição de albumina em casos de hipoalbuminemia grave com sintomas, e diuréticos com cautela. Imunossupressores são reservados para casos refratários ou dependentes de corticoides. A restrição hídrica não é recomendada rotineiramente devido ao risco de agravar a hipovolemia intravascular.
A síndrome nefrótica em crianças é diagnosticada pela tríade de edema, proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina >2 mg/mg), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL) e hipercolesterolemia.
A restrição hídrica não é indicada rotineiramente na síndrome nefrótica porque o edema é causado pela hipoalbuminemia e consequente diminuição da pressão oncótica, levando à hipovolemia intravascular e não à hipervolemia. A restrição pode agravar a hipovolemia e o risco de trombose.
O tratamento de primeira linha para a síndrome nefrótica em crianças é a corticoterapia, geralmente com prednisona oral. Imunossupressores adicionais podem ser considerados em casos de corticodependência ou corticorresistência.
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