SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina de 6 anos de idade foi trazida à Emergência com “inchaço” no rosto há, aproximadamente, uma semana, que progrediu para as pernas e abdome. Refere cansaço. Ao exame, apresenta edema periocular, em membros inferiores e ascite moderada. Exames laboratoriais mostram: albumina sérica de 2,0g/dL, proteinúria de 4+, colesterol total de 300mg/dL, ureia de 50 mg/dL e creatinina de 0,7mg/dL. PA: 90x60mmHg. Após admissão, houve piora do edema na perna direita com assimetria em relação à esquerda e dor local.O tratamento farmacológico preventivo (droga) no momento inicial que evitaria a complicação apresentada no caso clínico desta paciente:
Albuminemia < 2,0 g/dL na Síndrome Nefrótica → ↑ Risco de Fenômenos Tromboembólicos.
A síndrome nefrótica gera um estado de hipercoagulabilidade por perda urinária de antitrombina III e aumento de fatores pró-coagulantes; a profilaxia é considerada em casos de hipoalbuminemia grave.
A Síndrome Nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e dislipidemia. Na infância, a causa mais comum é a Doença de Lesões Mínimas. Além das infecções, as complicações tromboembólicas são graves e potencialmente fatais. O desequilíbrio entre fatores de coagulação e fibrinólise, somado à ativação plaquetária, cria o ambiente ideal para tromboses venosas e arteriais. O reconhecimento precoce de sinais como dor em membros, assimetria de edema ou dispneia súbita é vital. A prevenção foca na mobilização precoce, evitar desidratação e, em casos selecionados de alto risco, o uso de agentes farmacológicos profiláticos.
A síndrome nefrótica induz um estado pró-trombótico devido a vários mecanismos: perda urinária de proteínas anticoagulantes (como antitrombina III, proteína C e S), aumento da síntese hepática de fatores pró-coagulantes (fibrinogênio, fatores V e VIII), hiperagregação plaquetária e hemoconcentração decorrente do uso de diuréticos ou hipovolemia efetiva. A hipoalbuminemia grave (< 2,0 g/dL) é o principal marcador clínico desse risco.
A suspeita imediata deve ser Trombose Venosa Profunda (TVP). O diagnóstico deve ser confirmado por Doppler vascular. Uma vez confirmada a trombose, o tratamento com anticoagulação plena (geralmente heparina de baixo peso molecular ou varfarina) deve ser iniciado. É crucial monitorar a função renal e os níveis de albumina, pois a eficácia da heparina depende da antitrombina III, que pode estar reduzida.
Não há consenso absoluto na pediatria como há no adulto (onde albumina < 2,0-2,5 g/dL frequentemente indica profilaxia). No entanto, em crianças com hipoalbuminemia grave (< 2,0 g/dL) associada a outros fatores de risco (imobilização, infecção, cateter venoso central ou uso de doses altas de diuréticos), a profilaxia com antiagregantes (aspirina) ou anticoagulantes (enoxaparina) pode ser considerada para evitar eventos como TVP ou embolia pulmonar.
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