Síndrome Nefrótica Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 2 anos, previamente hígida, apresenta edema de face há 3 dias, com piora progressiva, acompanhada de mal-estar, dor abdominal e inapetência. Mãe nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico, está em regular estado geral, corada, desidratada +/4, afebril, taquipneica leve, com edema periorbitário 2+/4 e pressão arterial de 80 x 40 mmHg. Auscultas pulmonar e cardíaca normais. Abdome: globoso, flácido, com fígado palpável a 2 cm do rebordo costal direito, ascite +/4. Restante do exame normal. A análise do sedimento urinário revelou pH = 5,5, densidade de 1020, glicose ausente, proteína 2+/4, eritrócitos = ausentes, leucócitos = 15 mil/mm³, cilindros hialinos +/4, nitrito negativo. A principal suspeita diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Insuficiência cardíaca congestiva.
  2. B) Infecção do trato urinário.
  3. C) Glomerulonefrite difusa aguda.
  4. D) Síndrome nefrótica.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica Pediátrica → Edema generalizado, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e dislipidemia.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica em crianças é caracterizada pela tríade de edema, proteinúria maciça e hipoalbuminemia, frequentemente acompanhada de dislipidemia. A presença de edema periorbitário e ascite, junto com proteinúria 2+/4 no sumário de urina, são fortes indicativos.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal comum em crianças, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É a glomerulopatia mais frequente na infância, com pico de incidência entre 2 e 6 anos, e sua identificação precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda excessiva de proteínas na urina. O edema é resultado da hipoalbuminemia, que diminui a pressão oncótica plasmática, e da retenção de sódio e água. A suspeita diagnóstica surge com a presença de edema progressivo, especialmente periorbitário e em membros inferiores, e urina espumosa. O tratamento inicial da síndrome nefrótica na maioria das crianças é com corticosteroides, sendo a forma de lesões mínimas a mais comum e com boa resposta. O manejo inclui controle do edema com diuréticos, restrição de sódio e, em alguns casos, inibidores da ECA para reduzir a proteinúria. Complicações como infecções, trombose e insuficiência renal aguda devem ser monitoradas e tratadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica em crianças?

Os principais sinais incluem edema generalizado (face, periorbitário, membros, ascite), urina espumosa, mal-estar, dor abdominal e inapetência. Laboratorialmente, há proteinúria maciça, hipoalbuminemia e dislipidemia.

Como diferenciar síndrome nefrótica de glomerulonefrite aguda?

A síndrome nefrótica cursa com proteinúria maciça e edema proeminente, sem hematúria ou hipertensão significativas. A glomerulonefrite aguda, por sua vez, apresenta hematúria, hipertensão, oligúria e proteinúria menos intensa.

Quais exames laboratoriais confirmam a síndrome nefrótica?

O diagnóstico é confirmado pela presença de proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária >2 mg/mg), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e dislipidemia. O sumário de urina mostra proteinúria 3+/4+.

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