Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015
Um paciente de três anos, sexo masculino, com quadro de edema importante (anasarca) há cinco dias, urina espumosa, pressão normal para idade, é internado para investigação. Nos exames observam-se: Ureia = 15, creatinina = 0,4, albumina = 1,8, urina I pH = 5,5, densidade urinária = 1.015, leucócitos = 12.000, hemácias = 2.000, proteínas = ++. Frente ao quadro apresentado, qual o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada?
Criança com anasarca, urina espumosa, hipoalbuminemia e proteinúria maciça + PA normal = Síndrome Nefrótica. Conduta: corticoterapia, dieta hipossódica, diuréticos.
O quadro clínico de edema importante (anasarca), urina espumosa (indicando proteinúria), hipoalbuminemia (albumina 1,8) e função renal normal em uma criança de 3 anos é clássico de síndrome nefrótica. A pressão arterial normal é um achado comum na síndrome nefrótica de lesões mínimas, a forma mais comum em crianças. A conduta inicial inclui corticoterapia, dieta hipossódica e diuréticos para o edema, com líquidos à vontade, pois a restrição hídrica pode agravar a hipovolemia intravascular.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a síndrome nefrótica de lesões mínimas (SNLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos, com pico de incidência entre 2 e 6 anos de idade. É uma doença importante na prática pediátrica devido à sua prevalência e às complicações associadas, como infecções e eventos tromboembólicos. O diagnóstico é clínico e laboratorial. O paciente típico apresenta edema progressivo, que pode iniciar periorbital e evoluir para anasarca. A urina espumosa é um sinal de proteinúria. Laboratorialmente, observa-se hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), proteinúria maciça (relação proteína/creatinina urinária >2 ou >50 mg/kg/dia), e hipercolesterolemia. A função renal (ureia e creatinina) geralmente é normal, e a pressão arterial também costuma ser normal ou baixa, diferenciando-a da síndrome nefrítica. A conduta inicial para a síndrome nefrótica em crianças, especialmente na suspeita de SNLM, é a corticoterapia oral (prednisona), que induz a remissão na maioria dos casos. O manejo do edema inclui dieta hipossódica para reduzir a retenção de líquidos e diuréticos (como furosemida) para mobilizar o excesso de volume, sempre com monitorização cuidadosa para evitar hipovolemia. A restrição hídrica não é recomendada, pois a hipoalbuminemia já causa depleção do volume intravascular efetivo. A albumina intravenosa pode ser considerada em casos de edema refratário ou hipovolemia grave, mas não é rotina.
Os critérios incluem edema (geralmente periorbital e em membros inferiores, podendo evoluir para anasarca), proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária >2), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL) e hipercolesterolemia.
A maioria dos casos de síndrome nefrótica em crianças é devido à doença de lesões mínimas, que é altamente responsiva aos corticosteroides. A corticoterapia induz a remissão da proteinúria e do edema na maioria dos pacientes.
A dieta hipossódica ajuda a reduzir a retenção de sódio e água, diminuindo o edema. Os diuréticos (geralmente de alça) são usados para mobilizar o excesso de líquido, mas devem ser usados com cautela para evitar hipovolemia e piora da função renal.
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