Síndrome Nefrótica Pediátrica: Dislipidemia e HDL

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino com 4 anos e seis meses de idade é levado ao Serviço de Saúde por apresentar-se edemaciado. Sem antecedentes obstétricos e neonatais de importância, nega alergias a alimentos e medicamentos. Nega febre. Ao exame físico o paciente apresenta bom contato, hidratado, corado, acianótico. Ausculta cardíaca e pulmonar sem anormalidades. Abdome globoso, baço e fígado não palpáveis. Edema detectado em região periorbitária e membros inferiores. O exame de urina revela proteína de 40 mg/m²/h. Entre as alterações abaixo, esse paciente pode apresentar com maior frequência:

Alternativas

  1. A) HDL diminuído.
  2. B) triglicérides diminuídos.
  3. C) LDL diminuído.
  4. D) VLDL diminuído.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica: edema + proteinúria → hiperlipidemia (↑colesterol, ↑triglicerídeos, ↓HDL).

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A dislipidemia é um achado comum, com aumento do colesterol total, LDL e triglicerídeos, e frequentemente uma diminuição do HDL, devido a alterações no metabolismo lipídico e na síntese hepática.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das nefropatias mais comuns na infância, caracterizada por uma tétrade de proteinúria maciça (>40 mg/m²/h ou >50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. A maioria dos casos em crianças é de doença de lesões mínimas, com bom prognóstico. A compreensão de suas manifestações clínicas e laboratoriais é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados por residentes. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina, principalmente albumina. A hipoalbuminemia resultante diminui a pressão oncótica plasmática, causando extravasamento de fluido para o interstício e edema. O fígado, em resposta à hipoalbuminemia, aumenta a síntese de lipoproteínas, resultando em hiperlipidemia, com elevação de colesterol total, LDL, VLDL e triglicerídeos, e frequentemente uma redução do HDL. O tratamento inicial visa controlar o edema, reduzir a proteinúria e prevenir complicações. Corticosteroides são a terapia de primeira linha para a maioria dos casos. O manejo da dislipidemia geralmente envolve dieta e, em casos selecionados, pode-se considerar estatinas. O prognóstico é geralmente bom, mas a doença pode ser recorrente, exigindo acompanhamento contínuo e atenção às complicações como infecções e trombose.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica em crianças?

Os principais sinais e sintomas da síndrome nefrótica em crianças incluem edema generalizado (especialmente periorbitário e em membros inferiores), proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. A urina pode ser espumosa.

Por que ocorre dislipidemia na síndrome nefrótica?

A dislipidemia na síndrome nefrótica ocorre devido a uma combinação de fatores: aumento da síntese hepática de lipoproteínas (em resposta à hipoalbuminemia) e diminuição do catabolismo lipídico, resultando em níveis elevados de colesterol total, LDL, VLDL e triglicerídeos, e frequentemente HDL diminuído.

Qual a importância da avaliação do HDL na síndrome nefrótica?

A avaliação do HDL é importante porque, embora o perfil lipídico geral seja de hiperlipidemia, a diminuição do HDL é um achado comum e contribui para o risco cardiovascular a longo prazo em pacientes com síndrome nefrótica, necessitando de monitoramento e, por vezes, intervenção.

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