UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Mãe notou que seu filho, de 2 anos de idade, apresenta edema periocular pela manhã e também de membros inferiores ao longo do dia, e urina espumosa. Marcou consulta com pediatra de rotina para avaliação. Ao exame físico, pediatra notou um ganho de peso de 5 kg em 6 meses, aparelho respiratório e cardiológico sem alteração, abdome indolor à palpação e membros inferiores com edema 2+/4+, mole, frio e depressível. Verificam-se também FC = 106 bpm, FR = 26 irpm, PA no percentil 50, T = 36,5 ºC e SatO2 = 100% em AA. Qual seria a melhor conduta nesse momento?
Edema + urina espumosa em criança → suspeitar SN. Investigar com proteinúria 24h, proteínas, lípides, função renal, complemento.
A apresentação clínica de edema (periocular e em membros inferiores) e urina espumosa em uma criança de 2 anos é altamente sugestiva de síndrome nefrótica. A conduta inicial deve ser a solicitação de exames laboratoriais abrangentes para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da doença e descartar outras causas, incluindo proteinúria de 24h, proteínas séricas, perfil lipídico, função renal e níveis de complemento.
A Síndrome Nefrótica (SN) é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a SN é mais frequentemente idiopática, sendo a doença de lesões mínimas a causa mais comum, especialmente em pré-escolares. A apresentação clínica típica envolve edema generalizado, que pode ser o primeiro sinal notado pelos pais. A suspeita diagnóstica surge com a tríade de edema, urina espumosa e ganho de peso. O exame físico revela edema mole, frio e depressível. A investigação laboratorial é fundamental para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença. Isso inclui a quantificação da proteinúria (proteinúria de 24 horas ou relação proteína/creatinina urinária), que deve ser > 40 mg/m²/hora ou > 50 mg/kg/dia. Além disso, são solicitados exames para avaliar as consequências da proteinúria, como hipoalbuminemia, e para investigar possíveis etiologias secundárias, como perfil lipídico (hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia), função renal (ureia, creatinina) e níveis de complemento (C3, C4). A avaliação completa permite direcionar o tratamento e o prognóstico, sendo a corticoterapia a primeira linha na maioria dos casos de SN idiopática.
Os sinais clássicos incluem edema (periocular, membros inferiores, ascite), urina espumosa (devido à proteinúria), ganho de peso e, em alguns casos, fadiga.
Os exames essenciais incluem proteinúria de 24 horas (ou relação proteína/creatinina em amostra isolada), proteínas totais e frações (albumina), perfil lipídico, função renal (ureia, creatinina) e níveis de complemento (C3, C4).
A avaliação do complemento (C3 e C4) é importante para diferenciar a síndrome nefrótica de outras glomerulopatias. Níveis baixos de C3 podem sugerir glomerulonefrite pós-estreptocócica ou nefrite lúpica, enquanto na doença de lesões mínimas (causa mais comum de SN em crianças) o complemento é normal.
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