SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina, 6 anos de idade, foi trazida à Emergência com "inchaço" no rosto há, aproximadamente, uma semana, que progrediu para as pernas e abdome. Refere cansaço e urina espumosa. Ao exame, apresenta edema periocular, em membros inferiores e ascite moderada. Exames laboratoriais mostram: Albumina sérica de 2,0 g/dL; Proteinúria de 4+; Colesterol total de 300 mg/dL; Ureia de 50 mg/dL; Creatinina de 0,7 mg/dL; PA: 90/60 mmHg. Quanto ao comportamento dessa criança, a longo prazo, após estabilização de quadro clínico, a conduta mais importante será:
Edema + Proteinúria 4+ + Hipoalbuminemia = Síndrome Nefrótica (provável Lesão Mínima); monitorar recidivas via proteinúria.
A Síndrome Nefrótica por Lesões Mínimas é a principal causa em crianças; o seguimento foca no monitoramento da pressão arterial e proteinúria para detectar recidivas precocemente.
A síndrome nefrótica é definida pela tríade de proteinúria maciça (> 40 mg/m²/hora), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) e edema. Na pediatria, a maioria dos casos é idiopática e responde bem à prednisona (corticossensíveis). O quadro clínico de urina espumosa e edema periocular matutino que progride para anasarca é clássico.\n\nApós a estabilização inicial com corticoides e diuréticos (se necessário), o foco do tratamento a longo prazo é a manutenção da remissão e a vigilância de efeitos colaterais da medicação e sinais de recidiva. A biópsia renal é reservada para casos de corticorresistência, idade atípica ou sinais de síndrome nefrítica associada (hipertensão grave, hematúria macroscópica ou hipocomplementenemia).
A causa mais comum é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos de síndrome nefrótica idiopática na infância. Caracteriza-se por uma excelente resposta à corticoterapia, embora apresente alta taxa de recidivas, o que exige acompanhamento prolongado.
O monitoramento da proteinúria (geralmente através de fitas reagentes na urina domiciliar) é a forma mais eficaz de detectar precocemente uma recidiva da síndrome nefrótica, muitas vezes antes mesmo do aparecimento do edema clínico, permitindo o ajuste terapêutico rápido.
As principais complicações incluem infecções (especialmente peritonite bacteriana espontânea por Streptococcus pneumoniae devido à perda de imunoglobulinas e fatores do complemento), fenômenos tromboembólicos (pelo estado de hipercoagulabilidade) e hipovolemia relativa com risco de injúria renal aguda pré-renal.
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