AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Menino de 4 anos apresenta-se com edema em olhos e membros inferiores, anorexia, irritabilidade e diarreia. Sem hipertensão arterial. Foi internado e na evolução apresentou piora do edema, com ascite e edema genital. Exame de urina revelou proteinúria de 3+ e hematúria microscópica. Creatinina normal, colesterol e triglicerídeos elevados. Apesar do tratamento proposto (prednisona) reinternou com mesmo quadro mais três vezes, na última vez com febre e dor abdominal importante. Mantém hematúria microscópica.Sobre esta situação selecione a opção correta.I – As recidivas são habitualmente tratadas de modo semelhante ao episódio inicial, exceto que os ciclos de prednisona diário são reduzidos.II – O principal agente relacionado ao quadro de febre e dor abdominal é o pneumococo.III – A persistência da hematúria por si só não indica realização de biópsia.
Síndrome nefrótica infantil: recidivas tratadas com prednisona (ciclos reduzidos); pneumococo = principal agente de peritonite.
Recidivas da síndrome nefrótica são tratadas com prednisona, mas com esquemas que podem variar em duração e dose para minimizar efeitos colaterais. O pneumococo é o agente mais comum de peritonite bacteriana espontânea, uma complicação grave da síndrome nefrótica devido à imunossupressão e perda de proteínas. A hematúria microscópica persistente, especialmente se associada a outros sinais de atipicidade, pode indicar biópsia, tornando a afirmativa III falsa.
A síndrome nefrótica na infância é uma das glomerulopatias mais comuns em pediatria, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A maioria dos casos é de doença de lesões mínimas, que responde bem aos corticoides. No entanto, recidivas são frequentes e representam um desafio no manejo. A fisiopatologia envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, levando à perda de proteínas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a biópsia renal reservada para casos atípicos ou resistentes. As complicações incluem infecções (peritonite bacteriana espontânea, celulite), trombose e efeitos adversos do corticoide. O tratamento inicial é com prednisona. Para recidivas, o esquema de corticoide pode ser ajustado. A profilaxia para infecções, especialmente pneumocócicas, é importante. A persistência de hematúria, hipertensão ou disfunção renal, juntamente com a não resposta ao corticoide, são sinais de alerta que podem indicar uma glomerulopatia mais grave e a necessidade de biópsia renal para guiar o tratamento.
As recidivas da síndrome nefrótica são geralmente tratadas com prednisona diária até a remissão, seguida por uma redução gradual da dose em dias alternados. Os ciclos podem ser mais curtos ou com doses menores do que no episódio inicial, dependendo da frequência e gravidade das recidivas.
A principal complicação infecciosa é a peritonite bacteriana espontânea, especialmente em crianças. O agente etiológico mais comum é o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), devido à perda de opsoninas e imunoglobulinas na urina e à imunossupressão pelo uso de corticoides.
A hematúria microscópica persistente, especialmente se acompanhada de hipertensão arterial, disfunção renal (creatinina elevada), hipocomplementemia ou ausência de resposta ao tratamento com corticoides, é uma indicação para biópsia renal para investigar outras causas de glomerulopatia que não a doença de lesões mínimas.
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