SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina de 6 anos de idade foi trazida à Emergência com “inchaço” no rosto há, aproximadamente, uma semana, que progrediu para as pernas e abdome. Refere cansaço. Ao exame, apresenta edema periocular, em membros inferiores e ascite moderada. Exames laboratoriais mostram: albumina sérica de 2,0g/dL, proteinúria de 4+, colesterol total de 300mg/dL, ureia de 50 mg/dL e creatinina de 0,7mg/dL. PA: 90x60mmHg. Após admissão, houve piora do edema na perna direita com assimetria em relação à esquerda e dor local.Considerando os dados clínicos do caso, indique o diagnóstico principal mais provável:
Criança com anasarca + proteinúria maciça + hipoalbuminemia = Síndrome Nefrótica. Súbita dor e edema assimétrico em membro → pensar em complicação trombótica (TVP).
A síndrome nefrótica é definida pela tríade de edema, proteinúria maciça (>40 mg/m²/h) e hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), frequentemente acompanhada de hiperlipidemia. A perda urinária de proteínas anticoagulantes (como antitrombina III) e o aumento da síntese hepática de fatores pró-coagulantes criam um estado de hipercoagulabilidade, tornando a trombose uma complicação temida e que deve ser suspeitada.
A Síndrome Nefrótica (SN) é uma das doenças glomerulares mais comuns na infância, caracterizada por um aumento da permeabilidade da membrana de filtração glomerular às proteínas. A apresentação clínica clássica é o desenvolvimento de edema, que tipicamente começa na região periorbital e progride para anasarca (edema generalizado), envolvendo membros inferiores e cavidades como o abdome (ascite) e o tórax (derrame pleural). O diagnóstico é confirmado pela presença da tríade: 1) Proteinúria maciça (ou em faixa nefrótica); 2) Hipoalbuminemia; e 3) Edema. A hiperlipidemia é um quarto achado característico. A causa mais comum de SN idiopática em crianças (cerca de 85% dos casos) é a Doença de Lesões Mínimas, que geralmente tem bom prognóstico e responde bem à corticoterapia. A função renal, avaliada pela creatinina, é tipicamente normal na apresentação inicial. Além do manejo do edema com restrição de sal e diuréticos, é fundamental estar atento às complicações da SN. A condição induz um estado de hipercoagulabilidade devido à perda urinária de proteínas anticoagulantes (ex: antitrombina III) e ao aumento da síntese hepática de fatores pró-coagulantes. Isso eleva significativamente o risco de eventos tromboembólicos, como trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar e trombose de veia renal. O surgimento de dor, edema e eritema assimétricos em um membro, como no caso descrito, deve levantar alta suspeita de TVP, exigindo confirmação por ultrassonografia com Doppler e início imediato de anticoagulação.
Os achados clássicos incluem proteinúria em faixa nefrótica (relação proteína/creatinina urinária > 2,0 ou proteinúria de 24h > 40 mg/m²/h), hipoalbuminemia (albumina sérica < 2,5 g/dL), e hiperlipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados). A função renal (ureia e creatinina) costuma ser normal inicialmente.
O tratamento de primeira linha é a corticoterapia com prednisona ou prednisolona em altas doses (60 mg/m²/dia ou 2 mg/kg/dia) por 4 a 6 semanas, seguido de um desmame gradual. A maioria das crianças com a forma idiopática (geralmente Doença de Lesões Mínimas) responde bem a este tratamento.
O risco aumentado de infecções, especialmente peritonite bacteriana espontânea por bactérias encapsuladas (como Streptococcus pneumoniae), deve-se à perda urinária de imunoglobulinas (IgG) e componentes do complemento, além da própria terapia imunossupressora com corticoides.
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