UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
Escolar de 4 anos admitido na emergência pediátrica com história de edema periorbitário iniciado há uma semana com piora progressiva e redução do volume urinário percebida há 2 dias. Ao exame evidencia-se palidez cutânea, anasarca e níveis pressóricos normais para a idade, sem outros achados. A mãe relata ter feito recentemente os reforços vacinais da idade. Sobre esse quadro clínico é verdadeiro:
Síndrome Nefrótica Pediátrica = Edema, anasarca, PA normal, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia, proteinúria maciça. Doença de Lesão Mínima é a causa mais comum.
A síndrome nefrótica em crianças é tipicamente caracterizada por edema generalizado (anasarca), hipoalbuminemia, hipercolesterolemia e proteinúria maciça, com pressão arterial geralmente normal. A doença de lesão mínima é a causa mais comum e responde bem à corticoterapia, que deve ser iniciada empiricamente após o diagnóstico clínico-laboratorial.
A síndrome nefrótica pediátrica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É a glomerulopatia mais comum na infância, com incidência de 2 a 7 casos por 100.000 crianças por ano. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para residentes e estudantes de medicina, pois a maioria dos casos é de doença de lesão mínima, que tem um bom prognóstico com tratamento. A fisiopatologia central envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando na perda maciça de proteínas na urina, principalmente albumina. A hipoalbuminemia subsequente leva à redução da pressão oncótica plasmática, causando extravasamento de líquido para o espaço intersticial e resultando em edema generalizado (anasarca). A hipercolesterolemia é uma resposta hepática compensatória à hipoalbuminemia. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com a tríade de edema, proteinúria e hipoalbuminemia, acompanhada de hiperlipidemia e, tipicamente, pressão arterial normal. O tratamento inicial da síndrome nefrótica em crianças, especialmente na faixa etária de 1 a 10 anos, é a corticoterapia empírica com prednisona, devido à alta probabilidade de ser doença de lesão mínima, que é corticossensível. A biópsia renal é reservada para casos atípicos (idade < 1 ano ou > 10 anos), resistência aos corticoides, ou presença de hematúria macroscópica, hipertensão grave ou disfunção renal significativa. O manejo inclui também restrição de sódio e, em alguns casos, diuréticos para o edema, além de monitoramento de complicações como infecções e trombose.
Os critérios diagnósticos incluem proteinúria maciça (geralmente > 40 mg/m²/hora ou relação proteína/creatinina urinária > 2), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema generalizado (anasarca) e hipercolesterolemia. A pressão arterial costuma ser normal, diferenciando-a de outras glomerulopatias.
A hipoalbuminemia é uma consequência direta da perda maciça de albumina pela urina, levando à redução da pressão oncótica e ao edema. A hipercolesterolemia ocorre como um mecanismo compensatório do fígado, que aumenta a síntese de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia, além da diminuição do catabolismo de lipídios.
A corticoterapia deve ser iniciada empiricamente assim que o diagnóstico clínico-laboratorial de síndrome nefrótica for estabelecido, especialmente em crianças de 1 a 10 anos. A doença de lesão mínima, a causa mais comum nessa faixa etária, responde bem aos corticoides, e a biópsia renal é geralmente evitada inicialmente.
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