Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima: Diagnóstico e Manejo

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Um menino de 4 anos de idade teve uma infecção das vias aéreas superiores, seguida, em duas semanas, por edema generalizado a pressão sanguínea é normal. A urinálise revela 2 a 5 eritrócitos por campo de grande aumento e proteína 4 +. A uréia é de 19mg/dL, creatinina 0,6mg/dL, colesterol 402mg/dL, albumina sérica 0,9g/dL, título de antiestreptolisina 0 de 1:16, e C3 de 92mg/dL. O diagnóstico mais provável deverá ser:

Alternativas

  1. A) Grumerulonefrite pós – estreptocócica
  2. B) Grumerulonefrite membranosa
  3. C) Síndrome nefrótica de lesão mínima
  4. D) Grumerulonefrite membranoproliferativa
  5. E) Esclerose focal

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima = criança, edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia, função renal normal, C3 normal, hematúria discreta.

Resumo-Chave

A Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, caracterizada por proteinúria maciça, edema, hipoalbuminemia e hiperlipidemia, com função renal e C3 geralmente normais, e boa resposta aos corticosteroides.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima (SNLM) é a causa mais frequente de síndrome nefrótica em crianças, representando cerca de 80-90% dos casos em menores de 10 anos. Caracteriza-se por uma alteração na permeabilidade da barreira de filtração glomerular que leva à proteinúria maciça, resultando em hipoalbuminemia, edema generalizado (anasarca), hiperlipidemia e, por vezes, ascite e derrame pleural. A etiologia é desconhecida, mas frequentemente é precedida por infecções virais ou reações alérgicas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a biópsia renal sendo reservada para casos atípicos, não responsivos a corticosteroides ou com achados que sugiram outra glomerulopatia (como hematúria macroscópica persistente, hipertensão grave ou C3 baixo). É crucial diferenciar a SNLM de outras causas de síndrome nefrótica ou nefrítica, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que apresenta um quadro clínico e laboratorial distinto, incluindo hematúria mais proeminente e consumo de C3. O tratamento de primeira linha para a SNLM é a corticoterapia, com a maioria das crianças apresentando remissão completa. No entanto, recaídas são comuns, e alguns pacientes podem desenvolver dependência ou resistência aos esteroides, necessitando de outras terapias imunossupressoras. O manejo adequado da SNLM é um desafio para o residente, exigindo conhecimento sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento das complicações, como infecções e tromboses.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima?

Os critérios incluem edema generalizado, proteinúria maciça (>40 mg/m²/h ou relação proteína/creatinina urinária >2 mg/mg), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL) e hipercolesterolemia. A função renal e os níveis de C3 são geralmente normais.

Como diferenciar a Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima de outras glomerulonefrites?

A diferenciação é feita pela ausência de hematúria macroscópica, hipertensão e disfunção renal significativa, além de níveis normais de C3 e ASO não elevado, que são comuns em glomerulonefrites como a pós-estreptocócica ou membranoproliferativa.

Qual é o tratamento inicial para a Síndrome Nefrótica de Lesão Mínima?

O tratamento inicial é com corticosteroides (prednisona oral em altas doses), aos quais a maioria das crianças responde bem, com remissão da proteinúria e do edema. Em casos de não resposta ou recaídas frequentes, outros imunossupressores podem ser considerados.

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