Síndrome Nefrótica Infantil: Doença de Lesões Mínimas

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 2 anos e 3 meses de idade é internada em enfermaria com quadro clínico de edema generalizado, frio e depressível. A história revela um quadro insidioso e, recentemente, os pais notaram os “olhos inchados”, aumentando progressivamente. Ao exame físico: criança tem bom contato, com aspecto neurológico normal, afebril, acianótica e anictérica. Exames laboratoriais: albuminemia de 2,0 g/dL, proteinúria de 55 mg/kg/dia e hematúria microscópica. Entre as seguintes hipóteses patológicas, a mais provável para este caso é glomerulonefrite

Alternativas

  1. A) difusa aguda.
  2. B) pseudomembranosa.
  3. C) membranoproliferativa.
  4. D) por lesões mínimas.
  5. E) rapidamente progressiva.

Pérola Clínica

Criança < 6 anos + edema + proteinúria maciça + hipoalbuminemia + hematúria microscópica → Síndrome Nefrótica por Lesões Mínimas.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica em crianças pré-escolares, com edema generalizado, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e, ocasionalmente, hematúria microscópica, é mais comumente causada pela Doença de Lesões Mínimas. Esta condição é tipicamente corticossensível e responde bem ao tratamento com corticosteroides.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica infantil é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia. É a doença glomerular mais comum na infância, com maior incidência entre 2 e 6 anos de idade. A apresentação clínica clássica é o edema, que geralmente começa nas pálpebras e face, progredindo para as extremidades e generalizando-se (anasarca). A causa mais frequente da síndrome nefrótica em crianças é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), responsável por 80-90% dos casos em crianças pré-escolares. A DLM é caracterizada por alterações mínimas nos glomérulos à microscopia óptica, mas com fusão difusa dos podócitos à microscopia eletrônica. Outras causas incluem glomerulonefrite membranoproliferativa, glomeruloesclerose segmentar e focal, e glomerulonefrite difusa aguda (embora esta seja mais associada à síndrome nefrítica). O diagnóstico da síndrome nefrótica é clínico e laboratorial. A presença de hematúria microscópica, como no caso descrito, pode ocorrer em até 20% dos casos de DLM, mas a proteinúria maciça e a hipoalbuminemia são os achados dominantes. O tratamento inicial é com corticosteroides, e a maioria das crianças com DLM apresenta remissão completa da proteinúria, sendo consideradas corticossensíveis. A biópsia renal é reservada para casos atípicos, corticorresistentes ou com outras características que sugiram uma etiologia diferente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica incluem proteinúria maciça (proteinúria > 50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária > 2), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia. A hematúria microscópica pode estar presente, mas não é um critério obrigatório.

Por que a Doença de Lesões Mínimas é a causa mais provável de síndrome nefrótica em crianças pequenas?

A Doença de Lesões Mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças, especialmente na faixa etária pré-escolar (1 a 6 anos), respondendo por cerca de 80-90% dos casos. É caracterizada por alterações mínimas no glomérulo à microscopia óptica, mas fusão dos podócitos à microscopia eletrônica.

Qual é o tratamento inicial para a Síndrome Nefrótica por Lesões Mínimas?

O tratamento inicial para a Síndrome Nefrótica por Lesões Mínimas é a corticoterapia com prednisona oral em altas doses. A maioria das crianças (cerca de 90%) responde bem ao tratamento, sendo considerada corticossensível. A resposta é definida pela remissão da proteinúria.

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