Síndrome Nefrótica Infantil: Diagnóstico Laboratorial Essencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 5 anos, foi internado com edema generalizado de evolução de dez dias. Ao exame: edema facial, mucosas coradas, PA = 90 x 60 mmHg, abolição do murmúrio vesicular nas bases e ascite. Exames laboratoriais: ureia: 15 mg%; creatinina: 0,6 mg%; exame simples de urina com proteína ++++/4 e cilindros hialinos.Os exames que auxiliarão à elucidação diagnóstica são:

Alternativas

  1. A) dosagem de antiestreptolisina O e complemento.
  2. B) dosagem de proteínas e lipídeos séricos.
  3. C) clearance de creatinina e potássio sérico.
  4. D) ultrassonografia abdominal, urina tipo 1 e hemograma.

Pérola Clínica

Edema generalizado + proteinúria maciça + função renal normal em criança = Síndrome Nefrótica. Dosar proteínas e lipídeos séricos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema generalizado, proteinúria maciça e cilindros hialinos, com função renal preservada, é altamente sugestivo de Síndrome Nefrótica. Para confirmar, a dosagem de proteínas séricas (especialmente albumina) e lipídeos séricos é fundamental, pois revelará hipoalbuminemia e hiperlipidemia, características da síndrome.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É uma das glomerulopatias mais comuns na infância, sendo a nefropatia por lesões mínimas a causa mais frequente em crianças. O quadro clínico típico, como o descrito na questão, envolve edema generalizado (facial, membros inferiores, ascite), que é consequência da hipoalbuminemia e da diminuição da pressão oncótica plasmática. O diagnóstico da síndrome nefrótica é primariamente laboratorial. A presença de proteinúria ++++/4 no exame simples de urina é altamente sugestiva de proteinúria maciça. Cilindros hialinos podem ser encontrados, mas não são patognomônicos. A função renal (ureia e creatinina) geralmente está preservada nos estágios iniciais, o que ajuda a diferenciar de outras nefropatias. Para confirmar a síndrome, é essencial dosar as proteínas séricas, especialmente a albumina, que estará significativamente reduzida (hipoalbuminemia), e os lipídeos séricos, que estarão elevados (hiperlipidemia). Para residentes, é fundamental reconhecer a tríade clínica (edema, proteinúria, hipoalbuminemia) e saber quais exames solicitar para a confirmação diagnóstica. A dosagem de antiestreptolisina O e complemento (alternativa A) seria mais relevante para glomerulonefrite pós-estreptocócica, que cursa com hematúria e hipertensão, não sendo o foco principal neste caso. O clearance de creatinina e potássio sérico (alternativa C) avaliam função renal e eletrólitos, mas não confirmam a síndrome nefrótica em si. A ultrassonografia abdominal (alternativa D) pode ser útil para avaliar os rins, mas não é diagnóstica da síndrome nefrótica. Portanto, a dosagem de proteínas e lipídeos séricos é a mais indicada para a elucidação diagnóstica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica?

Os critérios diagnósticos incluem proteinúria maciça (> 3,5 g/dia em adultos ou > 40 mg/m²/hora em crianças), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), edema e hiperlipidemia. Pode haver também lipidúria.

Por que a dosagem de proteínas e lipídeos séricos é crucial na síndrome nefrótica?

A dosagem de proteínas séricas confirma a hipoalbuminemia, que é a causa do edema. A dosagem de lipídeos séricos revela a hiperlipidemia, que é uma consequência da hipoalbuminemia e da síntese hepática compensatória.

Quais são as principais causas de edema generalizado em crianças?

As principais causas de edema generalizado em crianças incluem síndrome nefrótica, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, desnutrição grave e angioedema. A avaliação laboratorial direciona o diagnóstico diferencial.

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