UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Uma criança de quatro anos de idade, previamente saudável, foi hospitalizada com quadro clínico de oligúria e edema generalizado. No exame físico, foram observados edema de membros inferiores e face, pressão arterial de 100 mmHg x 60 mmHg e inexistência de sinais de congestão circulatória. Os exames complementares apresentaram proteinúria de 70 mg/kg/24 horas, albumina sérica de 2 mg/dL e colesterol total de 300 mg/dL. Dados de referência: p90 para PA = 105 mmHg x 65 mmHg; proteinúria (VR ≤ 150 mg/24 horas); albumina sérica (VR = 3,5 - 4,7 g/dL); colesterol total (VR = < 170 mg/dL). Acerca dessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Indica-se a realização de biópsia renal para confirmação histopatológica.
Criança 1-10 anos + Síndrome Nefrótica pura → Presumir Lesão Mínima; Iniciar Corticoide sem Biópsia.
Na pediatria, a maioria dos casos de síndrome nefrótica é por Doença de Lesões Mínimas, respondendo bem a corticoides; a biópsia é reservada para casos atípicos ou resistentes.
A síndrome nefrótica na infância é um desafio clínico comum na pediatria. A Doença de Lesões Mínimas caracteriza-se pela fusão dos processos podocitários visível apenas à microscopia eletrônica, mantendo a microscopia óptica normal. O tratamento de primeira linha é a prednisona (60 mg/m²/dia ou 2 mg/kg/dia). A resposta ao corticoide é o principal fator prognóstico. Pacientes que respondem em até 4 semanas são classificados como corticossensíveis. O manejo do edema envolve restrição sódica e, em casos graves com sinais de hipovolemia ou edema incapacitante, uso cauteloso de diuréticos e albumina.
A síndrome nefrótica é definida pela tríade de proteinúria maciça (geralmente > 40 mg/m²/hora ou > 50 mg/kg/dia em crianças), hipoalbuminemia (albumina sérica < 2,5 g/dL) e edema. Frequentemente acompanha-se de hiperlipidemia. No caso clínico apresentado, a criança possui proteinúria de 70 mg/kg/24h, albumina de 2,0 g/dL e edema generalizado, preenchendo todos os critérios diagnósticos.
Em crianças entre 1 e 10 anos, cerca de 90% dos casos de síndrome nefrótica idiopática são causados pela Doença de Lesões Mínimas (DLM), que é altamente responsiva à corticoterapia. Devido a essa alta probabilidade estatística e ao perfil de segurança do tratamento, a conduta padrão é iniciar prednisona empiricamente. A biópsia é um procedimento invasivo e só se justifica se houver sinais de atipia ou falha no tratamento inicial.
As indicações de biópsia renal pré-tratamento incluem: idade < 1 ano ou > 10 anos, hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial sustentada, hipocomplementenemia (C3 baixo) ou insuficiência renal não explicada pela hipovolemia. Além disso, a biópsia é indicada em casos de corticorresistência (ausência de remissão após 4 a 8 semanas de corticoterapia em dose plena).
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