FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Um menino de 4 anos, previamente hígido, é levado ao pronto atendimento por edema periorbitário matinal há 1 semana, que evoluiu para aumento do volume abdominal e edema em membros inferiores. Não apresenta febre, hematúria visível e nem hipertensão. Genitora refere ganho de 2 kg no último mês. Menor encontra se ativo, afebril, hidratado, normocorado. Presença de edema mole, depressível, generalizado mais evidente em face e membros inferiores. PA: 90x60 mmHg, FC 100 BPM, FR 22 irpm, Temp. 36,8°C. Durante o exame físico, abdome moderadamente globoso, com ascite discreta, fígado e baço não palpáveis. Com albumina sérica: 1,8 g/dL; colesterol total: 290 mg/dL; triglicerídeos: 300 mg/dL; Ureia: 22 mg/dL; creatinina: 0,5 mg/dL; urina tipo I: proteinúria maciça, sem hematúria significativa. Com base no caso clínico, qual diagnóstico mais provável e a conduta inicial?
Edema + Proteinúria maciça + Hipoalbuminemia + Hiperlipidemia = Síndrome Nefrótica.
A Doença por Lesões Mínimas é a causa mais comum de síndrome nefrótica em pré-escolares, caracterizando-se por proteinúria seletiva e excelente resposta à corticoterapia empírica.
A Síndrome Nefrótica idiopática é uma das glomerulopatias mais frequentes na pediatria. A Doença por Lesões Mínimas (DLM) predomina na faixa etária pré-escolar. Fisiopatologicamente, ocorre uma perda da barreira de carga dos podócitos, permitindo a passagem maciça de albumina para a urina. O quadro clínico típico é o edema insidioso, que começa periorbitário e progride para anasarca (ascite, derrame pleural). O tratamento inicial com Prednisona por 4 a 6 semanas visa induzir a remissão completa. Complicações como infecções (por germes encapsulados como o Pneumococo, devido à perda de imunoglobulinas e fatores do complemento) e eventos tromboembólicos devem ser monitoradas durante a fase ativa da doença. A ausência de hematúria e hipertensão reforça o diagnóstico de DLM em detrimento de outras glomerulopatias.
A síndrome nefrótica é definida pela tríade de proteinúria maciça (> 40 mg/m²/hora ou relação proteína/creatinina urinária > 2), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) e edema. Frequentemente é acompanhada de hiperlipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados). No caso clínico, o paciente apresenta todos esses critérios de forma clássica.
Em crianças entre 1 e 8 anos, cerca de 80-90% dos casos de síndrome nefrótica idiopática são causados pela Doença por Lesões Mínimas (DLM), que é altamente responsiva a corticoides. Por isso, a conduta padrão é iniciar Prednisona (2 mg/kg/dia) e reservar a biópsia para casos de corticorresistência, idade atípica ou sinais de nefrite (hipertensão, hematúria).
A Síndrome Nefrótica foca na perda proteica maciça e edema grave (anasarca), geralmente sem hipertensão ou hematúria importante. Já a Síndrome Nefrítica (como na GNDA) cursa com hematúria, hipertensão, oligúria e edema leve a moderado, sendo o processo inflamatório glomerular com redução da filtração o centro da fisiopatologia.
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