MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um menino de 4 anos de idade, foi diagnosticado com síndrome nefrótica idiopática há dois meses. Na apresentação inicial, manifestava edema periorbitário e de membros inferiores, proteinúria de 24 horas de 65 mg/kg/dia, albumina sérica de 1,9 g/dL e colesterol total de 340 mg/dL. As funções renal e hepática eram normais, assim como os níveis de complemento C3 e C4. Foi iniciado tratamento com Prednisona na dose de 60 mg/m²/dia, apresentando remissão completa da proteinúria após 12 dias de terapia. Após completar 4 semanas de dose cheia, o paciente iniciou o esquema de desmame com Prednisona em dias alternados. No entanto, há 5 dias, após um quadro de resfriado comum, a mãe notou retorno do edema palpebral. O exame de urina com fita reagente (dipstick) mostrou proteinúria de 3+ por quatro dias consecutivos. Com base na evolução clínica apresentada, é correto afirmar que:
Recaída de Síndrome Nefrótica → Prednisona 60mg/m²/dia (ou 2mg/kg/dia) até proteinúria negativa por 3 dias.
A recaída é definida por proteinúria (dipstick ≥ 2+) por 3 dias consecutivos. O manejo inicial é o retorno à dose plena de corticoide, sem necessidade imediata de biópsia.
A síndrome nefrótica idiopática na infância é dominada pela Doença de Lesão Mínima (DLM), que se caracteriza por uma excelente resposta à corticoterapia inicial (corticosensibilidade). No entanto, o curso clínico é frequentemente marcado por recidivas; cerca de 60-80% dos pacientes apresentarão ao menos uma recaída durante o acompanhamento. O manejo das recaídas foca em induzir uma nova remissão rapidamente para evitar as complicações do estado nefrótico, como infecções (peritonite primária) e eventos tromboembólicos. A monitorização domiciliar com fita reagente (dipstick) é uma ferramenta essencial para a detecção precoce. Casos que evoluem para corticodependência (recaída durante o desmame ou em até 2 semanas após a suspensão) exigem estratégias de manutenção com doses baixas em dias alternados ou introdução de imunossupressores de segunda linha.
A biópsia renal está indicada em casos de corticorresistência (não remissão após 4 semanas de dose plena), idade de início atípica (< 1 ano ou > 10 anos), presença de hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial grave, hipocomplementenemia (C3 baixo) ou insuficiência renal não explicada pela hipovolemia.
Uma criança é classificada como tendo recaídas frequentes quando apresenta duas ou mais recaídas em um período de 6 meses após a resposta inicial, ou quatro ou mais recaídas em qualquer período de 12 meses. Nesses casos, deve-se considerar o uso de agentes poupadores de corticoide.
Infecções intercorrentes, especialmente as infecções de vias aéreas superiores (resfriados e gripes), são os gatilhos mais frequentes para o retorno da proteinúria em crianças com síndrome nefrótica idiopática previamente em remissão. O estresse imunológico desencadeia a desregulação dos podócitos.
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