Síndrome Nefrótica: Achados Urinários e Diagnóstico Clínico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 60 anos, procura atendimento por ganho de peso (10kg), urina espumosa e edema, em face e extremidades nos últimos 3 meses.Exame físico: BEG, corada, hidratada, eupneica, afebril. Edema 4+/4+. PA = 106 x 70 mmHg, sem outras alterações. Exames laboratoriais: creatinina = 0,7 mg/dL; ureia = 30 mg/dL; sódio = 131 mmol/L; potássio = 4,2 mmol/L; albumina = 2,1 g/dL; proteinúria = 6.500 mg/24h.Qual achado mais provável na urina, além de proteína?

Alternativas

  1. A) Cilindros granulosos.
  2. B) Lipídios.
  3. C) Leucócitos.
  4. D) Cilindros eritrocitários.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica = Proteinúria >3.5g/24h, hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia. Lipídios na urina (lipidúria) são achado comum.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia. A perda de proteínas na urina leva à hipoalbuminemia, que reduz a pressão oncótica e causa edema. A hiperlipidemia e a lipidúria (presença de lipídios na urina, como corpos graxos ovais e cilindros graxos) são consequências da disfunção hepática compensatória e da perda de lipoproteínas.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas resultantes de uma lesão glomerular que leva à proteinúria maciça. É uma das glomerulopatias mais comuns, afetando tanto crianças quanto adultos, e sua identificação precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações. A apresentação clássica inclui edema generalizado, urina espumosa e, em exames laboratoriais, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. A fisiopatologia central da síndrome nefrótica é o aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando na perda excessiva de proteínas plasmáticas, principalmente albumina, para a urina (proteinúria >3,5 g/24h). A hipoalbuminemia subsequente diminui a pressão oncótica plasmática, levando ao extravasamento de líquido para o interstício e, consequentemente, ao edema. A hiperlipidemia é uma resposta compensatória do fígado à hipoalbuminemia, e a lipidúria (presença de lipídios na urina) é um achado característico, manifestando-se como corpos graxos ovais e cilindros graxos no sedimento urinário. O diagnóstico da síndrome nefrótica é clínico e laboratorial, com a biópsia renal sendo frequentemente necessária para determinar a causa subjacente (ex: doença de lesões mínimas, glomeruloesclerose segmentar e focal, nefropatia membranosa). O tratamento visa controlar os sintomas, prevenir complicações (tromboembolismo, infecções) e tratar a doença de base, geralmente com corticosteroides e/ou imunossupressores. O manejo do edema e da dislipidemia também é fundamental para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a síndrome nefrótica?

Os critérios diagnósticos para a síndrome nefrótica incluem proteinúria maciça (geralmente >3,5 g/24h ou relação proteína/creatinina urinária >3,5), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia.

Por que a urina de pacientes com síndrome nefrótica pode apresentar lipídios?

A presença de lipídios na urina (lipidúria) na síndrome nefrótica ocorre devido à hiperlipidemia e ao aumento da permeabilidade glomerular, que permite a passagem de lipoproteínas. Essas lipoproteínas podem ser reabsorvidas pelas células tubulares e aparecer como corpos graxos ovais ou cilindros graxos no sedimento urinário.

Qual a diferença entre síndrome nefrótica e síndrome nefrítica?

A síndrome nefrótica é marcada por proteinúria maciça, edema e hipoalbuminemia. A síndrome nefrítica, por outro lado, é caracterizada por hematúria (com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos), hipertensão arterial, oligúria e proteinúria que, embora presente, geralmente não atinge níveis nefróticos.

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