UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020
M.C., do sexo feminino. de cinco anos, apresenta quadro edema insidioso há dois duas semanas que, há dois dias, evoluiu para anasarca. Além disse, a mãe refere que a urina apresenta-se na cor de coca-cola, com espuma, e informa que o volume urinário é normal. Ao exame fisico, apresenta-se anasarcada com pressão arterial abaixo do percentil 90. Abdome com presença de ascite. Aparelho respiratório sem alterações. Frequência respiratória:16 IPM, sem tiragem. Peso seco:22 kg; peso atual: 26kg. Trouxe alguns exames que mostram: hipercolesterolemia,hipertrigliceridemia,hipoalbuminemia C3 e C4 normais. Ureia e creatinina adequadas para idade. EAS com proteinúria de 3+, hemoglobia positivo 4+ leucócitos:5.000/ml e hemácias> 1.000.000/ml. Proteinúria de 24 horas:1300 mg/24 horas; volume :950 ml. Nesse caso, qual é a conduta médica?
Criança com anasarca, proteinúria maciça, hipoalbuminemia, hiperlipidemia, C3/C4 normais, mas com hematúria macro → Biópsia Renal.
A criança apresenta quadro de Síndrome Nefrótica com anasarca, hiperlipidemia, hipoalbuminemia e proteinúria nefrótica. Contudo, a presença de urina "cor de coca-cola" e hematúria significativa no EAS, mesmo com PA e complemento normais, sugere uma glomerulonefrite atípica, justificando a biópsia renal para elucidação diagnóstica e direcionamento terapêutico.
A síndrome nefrótica é uma condição renal comum na infância, caracterizada pela tríade de edema, proteinúria maciça e hipoalbuminemia, frequentemente acompanhada de hiperlipidemia. A forma mais comum em crianças é a doença de lesões mínimas, que geralmente responde bem ao tratamento com corticosteroides. No entanto, a presença de características atípicas deve levantar a suspeita de outras glomerulopatias. No caso apresentado, a criança tem anasarca, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, hipoalbuminemia e proteinúria de 1300 mg/24 horas (que para 22kg é 59 mg/kg/dia, caracterizando proteinúria nefrótica). Contudo, a urina "cor de coca-cola" e a hematúria significativa no EAS (hemácias > 1.000.000/ml) são achados que sugerem um componente nefrítico ou uma glomerulonefrite proliferativa, mesmo com C3 e C4 normais e pressão arterial abaixo do percentil 90. A presença de hematúria macroscópica (urina cor de coca-cola) em um quadro de síndrome nefrótica é um sinal de alerta e uma indicação para biópsia renal, pois sugere uma patologia subjacente diferente da doença de lesões mínimas, que tipicamente não cursa com hematúria macroscópica. A biópsia é fundamental para o diagnóstico histopatológico preciso e para guiar a terapia adequada, que pode não ser apenas a corticoterapia empírica.
Os critérios clássicos incluem edema, proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou >3,5 g/dia/1,73m²), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), hiperlipidemia e lipidúria.
A biópsia renal é indicada em casos de síndrome nefrótica atípica, como idade < 1 ano ou > 12 anos, presença de hematúria macroscópica persistente, hipertensão arterial, hipocomplementenemia (C3/C4 baixos), ou ausência de resposta ao tratamento com corticoides.
A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, edema e hipoalbuminemia, com pouca ou nenhuma hematúria e PA normal. A síndrome nefrítica apresenta hematúria (macro ou microscópica), hipertensão, oligúria e edema, com proteinúria geralmente não nefrótica. O caso em questão apresenta características mistas.
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