Síndrome Nefrótica: Critérios, Causas e Manejo

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Sobre síndrome nefrótica, assinale a opção INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A principal causa de síndrome nefrótica em criança é lesão histológica mínima, a qual é idiopática e costuma ter uma boa resposta ao corticoide, mas tem uma taxa significativa de recaídas.
  2. B) A síndrome nefrótica em crianças caracteriza-se por proteinúria nefrótica, edema, hipoalbuminemia, hipertensão e hematúria.
  3. C) São indicações de biópsia na síndrome nefrótica: idade menor de 1 ano, início na puberdade, córtico-resistência, piora progressiva da função renal.
  4. D) Na síndrome nefrótica ocorre perda da barreira de carga da membrana basal glomerular, o que resulta em perda seletiva de albumina, redução da pressão oncótica intravascular e extravasamento de líquido para o terceiro espaço.
  5. E) São indicações de albumina na síndrome nefrótica: anasarca importante, edema escrotal, oligúria, derrame pleural e ascite volumosa.

Pérola Clínica

SN clássica: proteinúria, hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia. Hipertensão e hematúria são mais típicas de SN nefrítica.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é definida pela tétrade de proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Embora hipertensão e hematúria possam ocorrer, elas não são critérios diagnósticos obrigatórios e são mais característicos da síndrome nefrítica, que envolve inflamação glomerular.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das glomerulopatias mais importantes na prática clínica, caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da perda maciça de proteínas pela urina. A tétrade clássica inclui proteinúria nefrótica (>3,5g/24h em adultos ou >40mg/m²/h em crianças), hipoalbuminemia (<3,0g/dL), edema (devido à redução da pressão oncótica) e hiperlipidemia (compensatória pela síntese hepática). É crucial diferenciar a síndrome nefrótica da síndrome nefrítica, que tipicamente apresenta hematúria, hipertensão e oligúria, embora possa haver sobreposição. Em crianças, a principal causa de síndrome nefrótica é a Lesão Histológica Mínima (LHM), que é idiopática e geralmente responde bem aos corticosteroides, mas com alta taxa de recidivas. Em adultos, as causas secundárias são mais comuns, como diabetes, amiloidose e glomerulonefrite membranosa. A biópsia renal é um procedimento diagnóstico fundamental em casos atípicos ou refratários, com indicações específicas como idade < 1 ano ou > 12 anos no início, córtico-resistência, piora da função renal, hipertensão grave ou hematúria persistente. A fisiopatologia central da síndrome nefrótica reside na disfunção da barreira de filtração glomerular, que perde sua seletividade de carga e/ou tamanho, permitindo a passagem de grandes quantidades de albumina e outras proteínas para a urina. O manejo inclui o tratamento da causa subjacente, controle do edema com diuréticos, manejo da hiperlipidemia e, em casos de anasarca grave, edema escrotal importante, oligúria ou derrames cavitários volumosos, a infusão de albumina intravenosa pode ser indicada para restaurar a pressão oncótica e otimizar a diurese. A compreensão desses aspectos é vital para o diagnóstico e manejo eficaz da síndrome nefrótica.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro critérios diagnósticos clássicos da síndrome nefrótica?

Os quatro critérios diagnósticos clássicos da síndrome nefrótica são: proteinúria maciça (>3,5g/24h em adultos ou >40mg/m²/h em crianças), hipoalbuminemia (<3,0g/dL), edema (geralmente difuso) e hiperlipidemia (aumento de colesterol e triglicerídeos).

Quando a biópsia renal é indicada na síndrome nefrótica em crianças?

A biópsia renal é indicada em crianças com síndrome nefrótica em casos de idade menor de 1 ano ou início na puberdade, córtico-resistência (ausência de remissão após 4-6 semanas de prednisona diária), córtico-dependência, piora progressiva da função renal, ou presença de hematúria macroscópica persistente e hipertensão grave.

Qual a fisiopatologia da proteinúria na síndrome nefrótica?

Na síndrome nefrótica, ocorre uma perda da barreira de carga elétrica e/ou da barreira de tamanho da membrana basal glomerular. Isso resulta em um aumento da permeabilidade glomerular a proteínas, principalmente a albumina, levando à proteinúria maciça e, consequentemente, à hipoalbuminemia e à redução da pressão oncótica intravascular.

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