Síndrome Nefrótica: Diagnóstico e IRA Pré-Renal

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir. Paciente masculino, 12 anos de idade, há duas semanas iniciou edema de membros inferiores que aumentou rapidamente, chegando a anasarca, com edema de pálpebra e escroto, passando de 39 kg para 47 kg de peso corporal. Pressão arterial = 85/50 mmHg deitado. Sem turgência jugular. Ascite pequena, mas sem visceromegalias. A diurese foi reduzindo de 1200ml/dia para 250 ml/dia, sendo 100 ml nas últimas seis horas. Fez exame laboratorial que mostrou creatinina sérica = 0,6 mg/dL, ureia 52 mg/dL, albumina 0,8 g/ dL, sódio sérico 132mEq/L, potássio sérico 4,0 mEq/L, hemograma normal, enzimas hepáticas normais. Não conseguiu colher exames de urina hoje. Nesse caso, qual deve ser a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica com injúria renal aguda pré-renal.
  2. B) Insuficiência cardíaca com hipotensão postural.
  3. C) Síndrome hepato-renal tipo 2.
  4. D) Kwashiorkor.

Pérola Clínica

Criança com anasarca + hipoalbuminemia grave + oligúria + hipotensão → Síndrome Nefrótica com Injúria Renal Aguda pré-renal.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A hipoalbuminemia grave leva à redução da pressão oncótica intravascular, resultando em extravasamento de líquido para o interstício (edema, anasarca) e consequente hipovolemia intravascular. Essa hipovolemia pode causar hipotensão e injúria renal aguda de causa pré-renal (oligúria com creatinina normal/levemente elevada e ureia elevada).

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a doença de lesões mínimas. O caso clínico descreve um menino com edema generalizado (anasarca, edema de pálpebra e escroto), ganho de peso significativo, hipoalbuminemia grave (0,8 g/dL) e proteinúria (inferida pelo quadro clínico), o que é altamente compatível com síndrome nefrótica. Uma complicação frequente e grave da síndrome nefrótica é a injúria renal aguda (IRA), frequentemente de causa pré-renal. A hipoalbuminemia severa leva a uma redução da pressão oncótica plasmática, resultando em extravasamento de líquido do compartimento intravascular para o interstício, causando o edema generalizado. Consequentemente, o volume intravascular efetivo diminui, levando à hipotensão (85/50 mmHg) e à redução da perfusão renal, manifestada por oligúria (diurese reduzida). Os exames laboratoriais corroboram essa hipótese: creatinina sérica normal (0,6 mg/dL) ou levemente elevada, mas ureia elevada (52 mg/dL), indicando uma relação ureia/creatinina aumentada, típica da IRA pré-renal. O manejo inicial envolve a reposição volêmica cuidadosa com albumina e diuréticos para corrigir a hipovolemia intravascular e o edema, além do tratamento específico da síndrome nefrótica, geralmente com corticosteroides.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica?

Os critérios incluem proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina >2 mg/mg), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia.

Por que ocorre hipotensão e oligúria na síndrome nefrótica?

A perda maciça de albumina na urina causa hipoalbuminemia, diminuindo a pressão oncótica intravascular. Isso leva ao extravasamento de líquido para o interstício (edema), resultando em hipovolemia intravascular efetiva, que se manifesta como hipotensão e oligúria.

Como diferenciar a injúria renal aguda pré-renal de outras causas em pacientes com síndrome nefrótica?

A IRA pré-renal é sugerida por oligúria, hipotensão, ureia desproporcionalmente elevada em relação à creatinina, e ausência de sinais de lesão renal intrínseca (como cilindros ou hematúria glomerular). A resposta à expansão volêmica é um teste diagnóstico e terapêutico.

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