UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Menino, 2 anos e 5 meses, previamente hígido, é trazido a Unidade Básica de Saúde, com história de inchaço lento e progressivo nos olhos e pés há 10 dias e redução do volume urinário há um dia. Exame físico: bom estado geral, descorado+/4+; PA no percentil 50 para idade e sexo; abdome: semicírculos de Skoda a 2 cm da cicatriz umbilical, fígado a 1 cm do rebordo costal direito com borda fina, consistência elástica e hepatimetria de 6 cm; baço não percutível; genital: edema de bolsa escrotal sem eritema ou aumento da temperatura; membros inferiores: edema frio e depressível em face interna dos tornozelos até terço médio das pernas, bilateralmente; olhos: edema bipalpebral, sem secreção ou hiperemia. O DIAGNÓSTICO SINDRÒMICO É:
Edema generalizado (anasarca), oligúria e sinais de ascite em criança → Síndrome Nefrótica.
A Síndrome Nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a doença de lesões mínimas. Os achados clínicos como edema bipalpebral, edema de membros inferiores, edema escrotal e semicírculos de Skoda (indicando ascite) são clássicos e sugerem fortemente o diagnóstico sindrômico.
A Síndrome Nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, sendo um tema de grande relevância para a prática pediátrica e para as provas de residência. Ela se manifesta por uma constelação de sintomas e achados laboratoriais que, quando presentes, permitem um diagnóstico sindrômico preciso. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é crucial para o manejo adequado e para evitar complicações. A fisiopatologia central da Síndrome Nefrótica é o aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando em proteinúria maciça. Essa perda proteica leva à hipoalbuminemia, que por sua vez diminui a pressão oncótica plasmática, causando o extravasamento de líquido para o interstício e o desenvolvimento de edema generalizado (anasarca). A redução do volume intravascular efetivo ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, contribuindo para a retenção de sódio e água, e a oligúria. Clinicamente, a Síndrome Nefrótica se apresenta com edema progressivo, inicialmente periorbital e depois em membros inferiores, genitália e abdome (ascite, evidenciada pelos semicírculos de Skoda). A redução do volume urinário é um achado comum. O diagnóstico sindrômico é feito com base nesses achados clínicos e confirmado por exames laboratoriais que demonstram proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. O tratamento inicial visa controlar o edema e a proteinúria, sendo os corticosteroides a primeira linha terapêutica na maioria dos casos de doença de lesões mínimas.
Os critérios diagnósticos da Síndrome Nefrótica incluem proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou relação proteína/creatinina urinária >2), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia. Em crianças, a hipertensão e a hematúria são menos comuns do que na síndrome nefrítica.
Os sinais clínicos mais comuns são edema, que geralmente começa nas pálpebras e se espalha para face, membros inferiores, bolsa escrotal e abdome (ascite, como indicado pelos semicírculos de Skoda). Outros achados podem incluir oligúria, fadiga e, em casos graves, derrames cavitários (pleural, pericárdico).
Em crianças, a principal causa de Síndrome Nefrótica é a doença de lesões mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos. É caracterizada por alterações mínimas no glomérulo visíveis apenas à microscopia eletrônica e geralmente responde bem ao tratamento com corticosteroides.
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