UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Menino de 4 anos é levado à emergência devido a edema nos olhos, na barriga e nas pernas há três dias. Mãe informa que, há 48 horas, procurou a UBS próxima à sua casa, onde o médico suspeitou que fosse um quadro alérgico, prescrevendo desloratadina, que não impediu a piora do quadro. A mãe não sabe informar sobre diurese e nega febre ou qualquer outro sinal ou sintoma. Ao exame físico, o paciente mostra-se lúcido, eupneico, pálido ++/4+ com edema palpebral bilateral, edemas de parede abdominal, de bolsa escrotal e de membros inferiores de ++/4+, com formação de cacifo. Não há evidência de visceromegalias e de anormalidade na peristalse. O aparelho cardiovascular apresenta bulhas normofonéticas, com frequência cardíaca de 96bpm. A pressão arterial é de 85 x 50mmHg (normal para sexo, idade e altura), ausculta respiratória sem alterações e a frequência respiratória é de 24irpm. A saturação O₂ é de 96%. Nesse caso, a principal hipótese diagnóstica e os exames laboratoriais a serem solicitados, respectivamente, são:
Edema generalizado em criança + PA normal → Síndrome Nefrótica. Exames: proteinúria 24h, albumina, colesterol.
A síndrome nefrótica é a principal hipótese para edema generalizado em crianças, especialmente na ausência de hipertensão e com história de não resposta a anti-histamínicos. A investigação laboratorial inicial deve focar na tríade clássica: proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia.
A síndrome nefrótica é uma das nefropatias mais comuns na infância, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Sua identificação precoce é crucial para iniciar o tratamento e prevenir complicações. A etiologia mais frequente em crianças é a doença de lesões mínimas, que geralmente responde bem a corticosteroides. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica de edema e nos achados laboratoriais. A proteinúria de 24 horas é o padrão-ouro para quantificar a perda proteica, enquanto a dosagem de albumina sérica e colesterol total confirmam a hipoalbuminemia e a hiperlipidemia, respectivamente. A ausência de hipertensão e hematúria ajuda a diferenciar da glomerulonefrite aguda. O manejo inicial envolve o controle do edema com diuréticos e restrição de sódio, além da reposição de albumina em casos de hipovolemia grave. O tratamento específico geralmente é feito com corticosteroides, sendo a biópsia renal reservada para casos atípicos ou refratários. O acompanhamento é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e identificar recidivas.
Os sinais clássicos incluem edema generalizado (periorbital, abdominal, escrotal, membros inferiores) que forma cacifo, palidez e, em casos mais avançados, ascite e derrame pleural. A pressão arterial geralmente é normal, diferenciando-a de outras nefropatias.
A proteinúria de 24 horas é crucial porque quantifica a perda proteica, confirmando a proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia ou >3,5 g/1,73m²/dia) que é um critério diagnóstico fundamental da síndrome nefrótica. A relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina também pode ser usada como triagem.
A síndrome nefrótica se diferencia pela tríade de edema generalizado, proteinúria maciça e hipoalbuminemia, geralmente com pressão arterial normal. Outras causas, como insuficiência cardíaca, apresentam cardiomegalia e sinais de congestão, enquanto glomerulonefrite aguda cursa com hematúria, hipertensão e oligúria.
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