Síndrome Nefrótica Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento Inicial

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023

Enunciado

Menino de 4 anos, previamente hígido, apresenta uma história de há 5 dias ter tido um quadro de IVAS e, após uma semana, surgiu um edema generalizado. Exame físico: criança ativa, eupneico, com edema periorbitário, edema de parede abdominal e Piparote positivo. Sumário de urina com pH 7,0, densidade urinária 1020, proteinúria +4/+4, hemácias raras. Colesterol sérico 550Mg/dL, albumina 2,1 g/dL, relação proteína/creatinina 0,8, C3 70mg/dL, creatinina 0,3 mg/dL. Qual a CONDUTA INICIAL desta criança:

Alternativas

  1. A) Iniciar amoxicilina.
  2. B) Iniciar furosemida.
  3. C) Iniciar metilprednisolona.
  4. D) Indicar biópsia renal.
  5. E) Iniciar prednisona oral.

Pérola Clínica

Criança com edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia, C3 normal → Síndrome Nefrótica; iniciar Prednisona.

Resumo-Chave

O quadro clínico (edema generalizado, proteinúria +4, hipoalbuminemia, hipercolesterolemia) é clássico de Síndrome Nefrótica em crianças. A ausência de hematúria significativa e o C3 normal sugerem fortemente a Glomerulonefrite de Lesões Mínimas, que é a causa mais comum e responsiva a corticoides em crianças. A prednisona oral é a conduta inicial.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, caracterizada por uma tétrade clássica: edema generalizado, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. Em crianças, a causa mais frequente é a Glomerulonefrite de Lesões Mínimas (GLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos, especialmente em menores de 10 anos. A GLM é tipicamente corticossensível e não cursa com hematúria significativa ou consumo de complemento (C3 normal), como visto no caso. A fisiopatologia envolve uma disfunção na barreira de filtração glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina. O edema é resultado da hipoalbuminemia, que diminui a pressão oncótica plasmática. A hiperlipidemia é uma resposta compensatória do fígado à hipoalbuminemia. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a exclusão de outras causas. A conduta inicial para a Síndrome Nefrótica em crianças, na ausência de sinais atípicos (como hematúria macroscópica, hipertensão grave, insuficiência renal aguda ou C3 baixo), é a corticoterapia com prednisona oral. A biópsia renal é reservada para casos atípicos, não responsivos à corticoterapia ou com recaídas frequentes. O residente deve estar apto a reconhecer o quadro e iniciar o tratamento adequado para prevenir complicações e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos da Síndrome Nefrótica em crianças?

Os critérios incluem proteinúria maciça (relação proteína/creatinina urinária >2 ou proteinúria >40 mg/m²/h), hipoalbuminemia (<2,5 g/dL), edema e hiperlipidemia. A hematúria e hipertensão são geralmente ausentes ou leves.

Qual a conduta inicial para Síndrome Nefrótica em crianças?

A conduta inicial é a corticoterapia com prednisona oral em dose imunossupressora (2 mg/kg/dia ou 60 mg/m²/dia), pois a maioria dos casos em crianças é devido à Glomerulonefrite de Lesões Mínimas, que é corticossensível.

Por que o C3 é importante na avaliação da Síndrome Nefrótica?

O nível de C3 é importante para diferenciar a Glomerulonefrite de Lesões Mínimas (C3 normal) de outras causas de síndrome nefrótica, como a Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (C3 baixo), que tem manejo e prognóstico diferentes.

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