UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 4 anos de idade, é acompanhado no ambulatório de nefrologia pediátrica desde os 2 anos de idade com diagnóstico de síndrome nefrótica corticorresistente. Foi admitido em unidade de emergência com quadro de descompensação clínica com anasarca e febre associada dor abdominal difusa de forte intensidade com início há 24 horas. Exame físico: anasarca, macicez móvel e descompressão brusca positiva difusamente no abdome. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o principal agente etiológico implicado?
Síndrome nefrótica + anasarca + dor abdominal + febre = PBE; Principal agente em crianças = *Streptococcus pneumoniae*.
Pacientes com síndrome nefrótica, especialmente aqueles com anasarca e hipoalbuminemia grave, têm alto risco de desenvolver peritonite bacteriana espontânea (PBE). A apresentação clássica inclui dor abdominal, febre e sinais de irritação peritoneal. O *Streptococcus pneumoniae* é o patógeno mais frequentemente isolado nesses casos em crianças.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, especialmente aquelas com formas corticorresistentes ou com anasarca grave, as complicações infecciosas são frequentes e representam uma causa significativa de morbimortalidade. Dentre essas complicações, a peritonite bacteriana espontânea (PBE) é particularmente grave e deve ser prontamente reconhecida. A PBE manifesta-se tipicamente com dor abdominal aguda, febre, náuseas e vômitos. Ao exame físico, sinais de irritação peritoneal, como descompressão brusca positiva e macicez móvel (indicando ascite), são achados importantes. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, facilitada pela hipoalbuminemia, que compromete a opsonização e a atividade bactericida do líquido peritoneal, e por deficiências imunológicas associadas à própria síndrome nefrótica. Em crianças com síndrome nefrótica e PBE, o agente etiológico mais comumente isolado é o *Streptococcus pneumoniae*. Outros patógenos, como *Escherichia coli* e *Staphylococcus aureus*, também podem ser encontrados, mas com menor frequência. O diagnóstico precoce e o início imediato de antibioticoterapia empírica, geralmente com cefalosporinas de terceira geração, são cruciais para o prognóstico favorável. A suspeita clínica é fundamental, e a paracentese diagnóstica com análise do líquido ascítico (contagem de neutrófilos > 250 células/mm³) confirma o diagnóstico.
Os sinais incluem dor abdominal difusa de forte intensidade, febre, náuseas, vômitos, e ao exame físico, macicez móvel e descompressão brusca positiva, indicando irritação peritoneal.
O principal agente etiológico implicado na peritonite bacteriana espontânea em crianças com síndrome nefrótica é o *Streptococcus pneumoniae*.
A hipoalbuminemia grave e a ascite, comuns na síndrome nefrótica, criam um ambiente propício para a translocação bacteriana e o crescimento de patógenos no líquido ascítico, além de deficiências imunológicas.
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