PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Mulher de 23 anos procura UBS com queixa de edema generalizado. Informa que o edema se iniciou há alguns meses, sendo que no início era localizado nos MMII distalmente e aparecia à tarde. Posteriormente, observou também edema palpebral após acordar. O quadro foi se agravando progressivamente até o edema aparecer de forma generalizada, nas últimas 2-3 semanas. Quando questionada, refere que o volume urinário está normal, mas a urina está espumosa. Sem outras queixas. O exame físico não apresenta alterações além do edema generalizado 2+/4+; PA 110/65mmHg, FC 82bpm, FR 18ipm, Tax 36,SºC. Trouxe consigo exames recentes que evidenciavam: hemograma e função renal dentro da normalidade, albumina plasmática 2, 1 g/dl, relação proteína/creatinina na urina 3,89/9 (VR <0,2g/g). Dentre os achados relacionados abaixo, qual é aquele que NÃO é habitualmente observado na síndrome apresentada pela paciente?
Síndrome nefrótica cursa com edema, proteinúria, hipoalbuminemia, dislipidemia e ↑ risco de trombose e infecções, NÃO sangramentos.
A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e dislipidemia. Uma de suas complicações importantes é o estado de hipercoagulabilidade, que aumenta o risco de trombose, e não de sangramentos, devido à perda urinária de anticoagulantes naturais e aumento de fatores pró-coagulantes.
A síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada por uma tétrade de achados: proteinúria maciça (perda de mais de 3,5g de proteína por 1,73m² de superfície corporal em 24 horas), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia. É uma manifestação de diversas doenças renais que afetam a barreira de filtração glomerular, resultando em aumento da permeabilidade às proteínas plasmáticas. A epidemiologia varia conforme a causa subjacente, sendo a doença de lesões mínimas a mais comum em crianças e a glomeruloesclerose segmentar e focal em adultos. A fisiopatologia do edema na síndrome nefrótica é primariamente atribuída à hipoalbuminemia, que diminui a pressão oncótica plasmática, levando ao extravasamento de líquido para o interstício. A hiperlipidemia ocorre devido ao aumento da síntese hepática de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia e à diminuição da degradação lipídica. Outros achados incluem cilindros graxos e corpos ovais gordurosos no sedimento urinário. As complicações são significativas e incluem susceptibilidade aumentada a infecções (devido à perda de imunoglobulinas), trombose (estado de hipercoagulabilidade), insuficiência renal aguda e desnutrição. O manejo da síndrome nefrótica envolve o tratamento da doença renal subjacente, controle do edema com diuréticos, manejo da dislipidemia com estatinas e profilaxia de trombose em casos de alto risco. É crucial reconhecer que a síndrome nefrótica confere um estado de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de eventos trombóticos (como trombose de veia renal, embolia pulmonar), e não de sangramentos. A perda de fatores anticoagulantes naturais na urina e o aumento da síntese de fatores pró-coagulantes contribuem para esse risco.
Os critérios incluem proteinúria maciça (>3,5g/1,73m²/dia ou relação proteína/creatinina >3,5), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema, hiperlipidemia e lipidúria. A paciente do caso apresenta esses achados.
O risco de trombose é aumentado devido à perda urinária de anticoagulantes naturais, como a antitrombina III, e ao aumento da síntese hepática de fatores pró-coagulantes, como fibrinogênio e fator V, resultando em um estado de hipercoagulabilidade.
Além da proteinúria maciça, o sedimento urinário pode apresentar cilindros graxos, corpos ovais gordurosos e lipidúria (gotículas de gordura), que são patognomônicos da síndrome nefrótica.
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