Síndrome Nefrótica e Lúpus: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 19 anos vai a uma consulta devido a edema de membros inferiores. Ela relata que teve gestação sem intercorrências, embora tenha feito apenas duas consultas de pré-natal. Contudo, 1 mês após o parto, procurou atendimento médico devido à persistência e piora progressiva do edema de membros inferiores, que, inicialmente, atribuiu à gravidez. Ao exame físico, apresenta edema depressível de membros inferiores e pressão arterial de 130 x 80 mmHg. Os exames laboratoriais apresentam urina de rotina com proteína positiva (4+/4+); proteinúria de 24h de 4 g (valor de referência [VR]: < 150 mg/24h); colesterol total de 300 mg/dL (VR: < 200 mg/dL); colesterol HDL de 20 mg/dL (VR: > 35 mg/dL); triglicerídeos de 280 mg/dL (VR: < 150 mg/dL); glicemia de jejum de 201 mg/dL (VR: < 100 mg/dL); albumina de 1,8 g/dL (VR: 3,5 a 5,2 g/dl); pesquisa de autoanticorpos FAN positiva com padrão nuclear homogêneo e título de 1:640. O diagnóstico sindrômico e o diagnóstico etiológico mais prováveis são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica; diabetes mellitus.
  2. B) Síndrome nefrítica; síndrome de Sjögren.
  3. C) Síndrome nefrítica; trombose de veia renal.
  4. D) Síndrome nefrótica; lúpus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

Proteinúria > 3,5g + Hipoalbuminemia + Edema = Síndrome Nefrótica. FAN + sugere etiologia lúpica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema generalizado associado a proteinúria maciça e hipoalbuminemia define a síndrome nefrótica, enquanto o FAN positivo em altos títulos direciona para o Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma manifestação comum de doenças glomerulares onde ocorre perda da barreira de seletividade capilar renal. No caso apresentado, a paciente manifesta a tríade clássica: edema, proteinúria de 24h (4g) e hipoalbuminemia grave (1,8 g/dL), além de dislipidemia compensatória. A associação com FAN positivo 1:640 e padrão homogêneo em uma mulher jovem é patognomônica para Lúpus Eritematoso Sistêmico até que se prove o contrário. A nefrite lúpica é uma das complicações mais graves do LES, exigindo frequentemente biópsia renal para classificação histológica e definição terapêutica (imunossupressão), visando prevenir a progressão para doença renal crônica terminal.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnóstico de Síndrome Nefrótica?

A síndrome nefrótica é definida laboratorialmente por uma proteinúria superior a 3,5 g/24h em adultos (ou > 40 mg/m²/hora em crianças), associada a hipoalbuminemia (geralmente < 3,0 g/dL), edema periférico, hiperlipidemia e lipidúria. O quadro clínico é marcado por edema depressível, que pode evoluir para anasarca, e complicações como fenômenos tromboembólicos e infecções.

Como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) afeta os rins?

O LES pode causar diversos padrões de lesão renal, conhecidos como nefrite lúpica, classificados pela ISN/RPS de I a VI. A síndrome nefrótica pura é frequentemente associada à Classe V (nefrite lúpica membranosa), embora formas proliferativas (Classe III e IV) também possam apresentar proteinúria nefrótica, geralmente acompanhadas de sedimento urinário ativo (hematúria e cilindros).

Qual a importância do FAN no diagnóstico de nefrite?

O Fator Antinuclear (FAN) é um teste de triagem altamente sensível para o LES. Títulos elevados (como 1:640) e padrões específicos (como o nuclear homogêneo, associado a anticorpos anti-DNA nativo e anti-histona) reforçam fortemente a etiologia autoimune em um paciente com manifestações sistêmicas ou renais, sendo essencial para diferenciar de causas primárias de síndrome nefrótica.

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