Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Jovem de 19 anos apresenta urina espumosa e edema de membros inferiores. PA: 120 x 70 mmHg. Laboratorialmente temos creatinina sérica: 0,8 mg/dL, albumina sérica: 1,9 g/dL e proteinúria de 5,4 gramas em 24 horas. A biópsia renal mostra anatomopatológico sem alterações significativas. No exame de urina típico desta situação o mais provável é encontrarmos cilindros:
Síndrome Nefrótica: proteinúria >3.5g/24h + hipoalbuminemia + edema + cilindros gordurosos na urina.
O quadro clínico de edema, urina espumosa, proteinúria maciça e hipoalbuminemia é clássico de síndrome nefrótica. A presença de cilindros gordurosos no sedimento urinário é patognomônica dessa condição, refletindo a dislipidemia e lipidúria associadas à perda proteica.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por uma tétrade de sinais: proteinúria maciça (>3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema e hiperlipidemia. A urina espumosa é um sintoma comum devido à alta concentração de proteínas. Em adultos jovens, como o caso apresentado, a etiologia pode variar, mas a Doença de Lesões Mínimas (DLM) é uma causa importante, especialmente quando a biópsia renal não mostra alterações significativas à microscopia óptica. A fisiopatologia da síndrome nefrótica envolve um aumento da permeabilidade da barreira de filtração glomerular, resultando na perda maciça de proteínas plasmáticas, principalmente albumina. A hipoalbuminemia leva à diminuição da pressão oncótica intravascular, causando o extravasamento de líquido para o interstício e formação de edema. A hiperlipidemia é uma resposta compensatória do fígado à hipoalbuminemia, aumentando a síntese de lipoproteínas, e a lipidúria ocorre pela filtração glomerular de lipídios. No exame de urina, a presença de cilindros gordurosos é um achado patognomônico da síndrome nefrótica. Esses cilindros são formados por células tubulares renais que absorvem lipídios filtrados e os incorporam em sua estrutura, sendo subsequentemente eliminados na urina. O tratamento da síndrome nefrótica varia conforme a etiologia, mas frequentemente envolve corticosteroides e outras terapias imunossupressoras, além de medidas de suporte para o edema e a dislipidemia. Residentes devem estar aptos a reconhecer o quadro clínico e os achados laboratoriais característicos para um diagnóstico e manejo adequados.
Os critérios diagnósticos incluem proteinúria maciça (>3,5 g/24h ou >50 mg/kg/dia em crianças), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema (geralmente generalizado) e, frequentemente, hiperlipidemia e lipidúria.
Os cilindros gordurosos são formados a partir de células tubulares renais que absorvem lipídios filtrados em excesso devido à proteinúria maciça. Esses lipídios se acumulam e são excretados na urina, formando cilindros que são patognomônicos da síndrome nefrótica.
Em adultos, a biópsia renal é geralmente indicada para determinar a causa subjacente da síndrome nefrótica, pois as etiologias são mais variadas do que em crianças. A biópsia auxilia no diagnóstico diferencial entre Doença de Lesões Mínimas, Glomeruloesclerose Segmentar e Focal, Nefropatia Membranosa, entre outras, e orienta o tratamento.
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