Síndrome Nefrótica: Complicações Infecciosas e Peritonite

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 6 anos de idade, com antecedente de síndrome nefrótica corticodependente, iniciou quadro de urina espumosa, edema periorbital e escrotal, lipotimia e derrame pleural após episódio de resfriado comum. Foi indicada a internação para controle da descompensação e indicada infusão de albumina.Exames laboratoriais:Hb: 13,7g/dL Ht: 45,2%Leucócitos: 3.400/mm³, sem desvioPlaquetas: 409 mil/mm³Na⁺: 125 mEq/LK⁺: 4,5 mEq/LCreatinina: 1,7 mg/dL (anterior de 0,9 mg/dL) Ureia: 69 mg/dLAlbumina: 1,5 g/dLEvoluiu após 48 horas de internação com queixa de dor abdominal intensa, pior à palpação, com descompressão brusca positiva. Qual processo fisiopatológico está relacionado à complicação apresentada pelo paciente?

Alternativas

  1. A) Redução da opsonização por perda urinária de imunoglobulinas.
  2. B) Aumento da pressão oncótica e da viscosidade sanguínea.
  3. C) Infusão de coloide em paciente com redução da tonicidade plasmática.
  4. D) Perda urinária de proteínas C e S e antitrombina III.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica + dor abdominal aguda + descompressão brusca → suspeitar de peritonite bacteriana espontânea por opsonização reduzida.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica aumenta o risco de infecções graves, como a peritonite bacteriana espontânea (PBE), devido à perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento, que resultam em opsonização deficiente. A dor abdominal intensa com sinais de irritação peritoneal em um paciente nefrótico é um forte indicativo de PBE.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. É uma das principais causas de morbidade em crianças e adultos, e suas complicações podem ser graves, incluindo infecções, trombose e insuficiência renal aguda. A fisiopatologia das complicações infecciosas, como a peritonite bacteriana espontânea (PBE), está diretamente ligada à perda urinária de proteínas essenciais para a imunidade. A hipogamaglobulinemia (perda de IgG) e a deficiência de fatores do complemento comprometem a opsonização, tornando os pacientes vulneráveis a infecções por bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae. A ascite, comum na síndrome nefrótica, fornece um meio de cultura ideal para a proliferação bacteriana. O diagnóstico de PBE é suspeitado clinicamente e confirmado por paracentese com contagem de neutrófilos no líquido ascítico > 250 células/mm³. O tratamento é uma emergência médica, com antibióticos intravenosos de amplo espectro. A prevenção de infecções, incluindo vacinação e profilaxia antibiótica em casos selecionados, é crucial no manejo a longo prazo da síndrome nefrótica.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com síndrome nefrótica têm maior risco de infecções?

Pacientes com síndrome nefrótica perdem grandes quantidades de proteínas na urina, incluindo imunoglobulinas (IgG) e fatores do complemento (como fator B e D), que são essenciais para a opsonização e defesa contra bactérias encapsuladas, aumentando o risco de infecções.

Quais são os sinais de alerta para peritonite bacteriana espontânea em síndrome nefrótica?

Os sinais de alerta incluem dor abdominal aguda e difusa, febre, náuseas, vômitos, diarreia, e sinais de irritação peritoneal como descompressão brusca positiva. A deterioração do estado geral também é um indicativo.

Qual o tratamento inicial para peritonite bacteriana espontânea em síndrome nefrótica?

O tratamento inicial envolve a administração empírica de antibióticos de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração (ex: cefotaxima), que cobrem os patógenos mais comuns, como Streptococcus pneumoniae e bactérias Gram-negativas entéricas.

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