Síndrome Nefrótica em Crianças: Diagnóstico e Sinais

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Escolar do sexo masculino, 7 anos de idade, apresenta obstrução nasal, coriza clara e dor de garganta há 6 dias. Fez uso de anti-inflamatório nos últimos 2 dias. Apresentou, há 4 dias, aumento da frequência das evacuações e fezes amolecidas, quadro que melhorou em cerca de 48 horas. Apresenta, nas últimas 24 horas, edema periorbitário. Mãe refere diminuição do volume urinário, com aspecto mais escurecido da urina. Ao exame físico, apresenta-se com FR de 25 irpm, FC de 124 bpm e PA: 100 x 60 mmHg (valores menores que o percentil 90 para a idade, sexo e altura). Há edema periorbitário bilateral. Exames laboratoriais: Urina tipo 1 com densidade 1025, pH de 5, proteínas de 500 mg/dL, 3 leucócitos por cam- po, 20 hemácias por campo. A relação proteína/creatinina urinária em amostra única foi de 2,1. A dosagem de albu- mina é de 2,5 mg/dL, ureia 50 mg/dL e creatinina sérica de 0,6 mg/dL. O diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) glomerulonefrite aguda pós-infecciosa.
  2. B) síndrome hemolítico-urêmica.
  3. C) síndrome nefrótica.
  4. D) nefrite tubulointersticial por droga.
  5. E) infecção do trato urinário.

Pérola Clínica

Edema + proteinúria nefrótica (P/C > 2,0) + hipoalbuminemia (< 2,5) → Síndrome Nefrótica.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Embora a hematúria e a pressão arterial normal possam ser atípicas para a forma clássica, a presença de proteinúria na faixa nefrótica e hipoalbuminemia são os pilares diagnósticos.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma das glomerulopatias mais comuns na infância, caracterizada por uma tétrade clínica: proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. O caso clínico apresentado, com edema periorbitário, diminuição do volume urinário, urina escura, proteinúria significativa (500 mg/dL e relação proteína/creatinina urinária de 2,1) e hipoalbuminemia (2,5 mg/dL), aponta fortemente para este diagnóstico, apesar da pressão arterial normal e da presença de hematúria, que podem ser achados em algumas variantes ou em sobreposição com outras condições. A proteinúria na faixa nefrótica (definida por uma relação proteína/creatinina urinária > 2,0-2,5 mg/mg ou proteinúria > 40 mg/m²/hora) é o achado laboratorial mais importante. A hipoalbuminemia é uma consequência direta da perda proteica urinária e leva à diminuição da pressão oncótica plasmática, resultando no edema, que classicamente se inicia no rosto (periorbitário) e se torna generalizado. A história de infecção prévia (IVAS e diarreia) pode ser um gatilho para a síndrome nefrótica, especialmente a de lesões mínimas, que é a forma mais comum em crianças. O tratamento inicial da síndrome nefrótica em crianças geralmente envolve corticosteroides, com a maioria dos pacientes respondendo bem. O manejo do edema, a prevenção de infecções e a monitorização de complicações como trombose são aspectos cruciais. O diagnóstico diferencial com outras condições, como a glomerulonefrite aguda pós-infecciosa (GNAP), é importante, mas a magnitude da proteinúria e a hipoalbuminemia são os principais guias para a síndrome nefrótica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para síndrome nefrótica em crianças?

Os critérios diagnósticos para síndrome nefrótica em crianças incluem proteinúria maciça (relação proteína/creatinina urinária > 2,0-2,5 mg/mg ou proteinúria > 40 mg/m²/hora), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia.

Como diferenciar síndrome nefrótica de glomerulonefrite aguda pós-infecciosa (GNAP)?

A síndrome nefrótica se caracteriza por proteinúria maciça e hipoalbuminemia, enquanto a GNAP tipicamente apresenta proteinúria subnefrótica, hematúria macroscópica, hipertensão e consumo de C3. Embora ambas possam cursar com edema, a magnitude da proteinúria é o principal diferencial.

A presença de hematúria exclui o diagnóstico de síndrome nefrótica?

Não, a presença de hematúria não exclui o diagnóstico de síndrome nefrótica. Embora a síndrome nefrótica 'pura' seja classicamente anictérica e sem hematúria, algumas formas, como a glomeruloesclerose segmentar e focal, podem cursar com hematúria microscópica ou até macroscópica.

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