Síndrome Nefrótica: Diagnóstico e Achados Laboratoriais

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Carlos, 44 anos, previamente saudável, vem apresentando inchaço em membros inferiores há 4 meses. Há 1 mês, o inchaço progrediu para o resto do corpo. Embora continue a alimentar-se de maneira saudável, seu peso corporal aumentou 12 kg nos últimos 2 meses. Sua PA atual é de 108/68 mmHg. Seus exames laboratoriais mostraram: INR= 1,0; bilirrubinas normais; Colesterol=330 mg/dL; Triglicérides=440 mg/dL e Albumina sanguínea= 2,8 g/dL. Entre as alternativas abaixo, qual representa um resultado de laboratório mais compatível com a principal hipótese diagnóstica de Carlos?

Alternativas

  1. A)  Proteína em amostra isolada de urina de 300 mg/dL.
  2. B)  Creatinina plasmática superior a 7,0 mg/dL.
  3. C)  Hemácias em amostra isolada de urina de 120.000 hemácias/mL.
  4. D)  Relação ureia/creatinina inferior a 5 em amostra urinária.

Pérola Clínica

Edema generalizado + hipoalbuminemia + hiperlipidemia → Síndrome Nefrótica. Confirmar com proteinúria > 3,5g/24h.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema generalizado, ganho de peso, hipoalbuminemia e hiperlipidemia é altamente sugestivo de Síndrome Nefrótica. O achado laboratorial mais compatível para confirmar essa hipótese é a proteinúria maciça, que em uma amostra isolada de urina se manifesta como uma alta concentração de proteína.

Contexto Educacional

A Síndrome Nefrótica é uma condição renal caracterizada por uma tríade clássica de proteinúria maciça (excreção urinária de proteína > 3,5 g/24h em adultos), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL) e edema generalizado. Frequentemente, é acompanhada por hiperlipidemia e lipidúria. É uma das principais causas de edema em adultos e crianças, e sua importância clínica reside nas complicações associadas, como risco aumentado de trombose, infecções e insuficiência renal aguda. O diagnóstico é baseado nos achados clínicos e laboratoriais. O paciente típico apresenta edema progressivo, inicialmente em membros inferiores e depois generalizado (anasarca), ganho de peso e, por vezes, ascite ou derrame pleural. Os exames laboratoriais confirmam a hipoalbuminemia e a hiperlipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados). A proteinúria é o achado mais distintivo, sendo quantificada por coleta de urina de 24 horas ou estimada pela relação proteína/creatinina em amostra isolada. Uma proteína em amostra isolada de 300 mg/dL é um forte indicativo de proteinúria significativa. O tratamento inicial visa controlar o edema com diuréticos, reduzir a proteinúria com inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina, e manejar a hiperlipidemia com estatinas. A causa subjacente da síndrome nefrótica (glomerulopatia primária ou secundária) deve ser investigada, muitas vezes exigindo biópsia renal para guiar o tratamento específico. O prognóstico varia conforme a etiologia e a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos da Síndrome Nefrótica?

Os critérios incluem proteinúria maciça (geralmente > 3,5g/24h ou > 300 mg/dL em amostra isolada), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), edema generalizado e hiperlipidemia, que são essenciais para o diagnóstico.

Por que ocorre hiperlipidemia na Síndrome Nefrótica?

A hiperlipidemia é uma resposta compensatória do fígado à hipoalbuminemia, que aumenta a síntese de lipoproteínas para tentar manter a pressão oncótica plasmática, além de haver uma diminuição do catabolismo lipídico.

Como diferenciar Síndrome Nefrótica de Síndrome Nefrítica?

A Síndrome Nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça, edema e hiperlipidemia, enquanto a Síndrome Nefrítica apresenta hematúria, hipertensão, oligúria e proteinúria de menor grau, sendo quadros distintos.

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