HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023
Um menino de 5 anos de idade foi levado ao ambulatório com queixa de inchaço progressivo em face e no corpo inteiro há cerca de 10 dias. Sua mãe refere urina espumosa, com diminuição do volume, e diarreia líquida há 2 dias. Nega outros antecedentes mórbidos. Ao exame físico, apresenta-se em anasarca e com intenso edema de bolsa escrotal. Os exames laboratoriais revelam hipoalbuminemia de 1,6 g/dl, creatinina de 1 mg/dl e ureia de 70 mg/dl. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta:
Síndrome Nefrótica = Hipoalbuminemia + Edema generalizado + Proteinúria maciça. Hipercolesterolemia é achado comum.
O quadro clínico de edema progressivo, anasarca, urina espumosa e hipoalbuminemia grave (1,6 g/dL) é altamente sugestivo de síndrome nefrótica. A hipercolesterolemia é uma característica metabólica comum da síndrome nefrótica, resultante do aumento da síntese hepática de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia.
A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a doença de lesões mínimas é a causa mais comum, geralmente com bom prognóstico e resposta a corticosteroides. A identificação precoce dos sinais e sintomas é fundamental para o manejo adequado. A fisiopatologia da hipercolesterolemia na síndrome nefrótica é multifatorial. A hipoalbuminemia estimula a síntese hepática de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e muito baixa densidade (VLDL), enquanto o catabolismo dessas lipoproteínas pode estar reduzido. Isso resulta em níveis elevados de colesterol total e triglicerídeos, aumentando o risco cardiovascular a longo prazo. O manejo da síndrome nefrótica envolve o controle do edema com diuréticos e restrição de sódio, além da terapia específica para a causa subjacente, geralmente corticosteroides. A monitorização dos níveis lipídicos é importante, e em casos de hipercolesterolemia grave e persistente, pode ser necessário o uso de estatinas, especialmente em adultos. A prevenção e tratamento de infecções e tromboses são componentes cruciais do cuidado.
A hipoalbuminemia estimula o fígado a aumentar a síntese de lipoproteínas, incluindo o colesterol, na tentativa de compensar a perda de proteínas. Além disso, há uma diminuição do catabolismo de lipoproteínas, contribuindo para a hipercolesterolemia.
As complicações incluem infecções (peritonite bacteriana espontânea), fenômenos tromboembólicos (hipercoagulabilidade), insuficiência renal aguda, desnutrição e distúrbios eletrolíticos. O edema grave pode causar desconforto e comprometer a função respiratória.
Em crianças, a etiologia mais comum é a doença de lesões mínimas, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outras causas incluem glomerulosclerose segmentar e focal e glomerulonefrite membranoproliferativa.
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