Síndrome Nefrótica: Complicações e Manejo Clínico

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 20 anos de idade foi encaminhada ao atendimento ambulatorial com relato de que, há dois meses, iniciou-se edema nos membros inferiores, que progrediu para todo corpo. Percebeu que a urina estava espumosa. Negou qualquer outro sintoma. Ao exame, apresentava-se em anasarca, com ascite e derrame pleural bilateral discreto. Realizou exame de urina, que demonstrou proteinúria sem hematúria. Constataram-se proteinúria de 24 horas = 8.300 mg, hemograma normal, FAN e pesquisa de autoanticorpos negativos, PA = 110 mmHg x 70 mmHg, FC = 90 bpm, FR = 20 irpm e SatO2 = 98%.Quanto às complicações que essa paciente pode apresentar, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trombose venosa profunda, infecções por germes encapsulados e peritonite bacteriana espontânea.
  2. B) Aterosclerose acelerada, hipovitaminose D e hipertireoidismo.
  3. C) Dislipidemia, trombose venosa profunda e artrite.
  4. D) Dislipidemia, trombose de artéria renal e hipertireoidismo.
  5. E) Trombose venosa profunda, infecções por germes encapsulados e queda de fibrinogênio.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica → ↑ risco de trombose, infecções (encapsulados) e peritonite bacteriana espontânea.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e dislipidemia, predispõe a diversas complicações. As mais graves incluem eventos tromboembólicos devido ao estado de hipercoagulabilidade e infecções, especialmente por germes encapsulados e peritonite bacteriana espontânea, pela perda de imunoglobulinas.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição clínica caracterizada por proteinúria maciça (>3,5 g/1,73m²/24h em adultos ou >40 mg/m²/h em crianças), hipoalbuminemia (<3,0 g/dL), edema generalizado (anasarca), e dislipidemia. É uma síndrome comum em nefrologia e pediatria, com diversas etiologias, e suas complicações podem ser graves e potencialmente fatais. As complicações da síndrome nefrótica são multifatoriais e decorrem principalmente da perda urinária de proteínas e da hipoalbuminemia. O estado de hipercoagulabilidade, devido à perda de antitrombina III e outros fatores, aumenta o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar. A imunodeficiência, pela perda de imunoglobulinas e fatores do complemento, predispõe a infecções, especialmente por germes encapsulados (pneumococo) e peritonite bacteriana espontânea. Outras complicações incluem dislipidemia (aumento do risco cardiovascular a longo prazo), insuficiência renal aguda (por hipovolemia ou necrose tubular aguda), e desnutrição. O manejo envolve o tratamento da doença subjacente, controle do edema com diuréticos, e profilaxia ou tratamento das complicações, como anticoagulação em casos selecionados e vacinação contra pneumococo.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com síndrome nefrótica têm maior risco de trombose?

O risco aumentado de trombose na síndrome nefrótica deve-se a um estado de hipercoagulabilidade, causado pela perda urinária de anticoagulantes naturais (como antitrombina III), aumento da síntese hepática de fatores de coagulação e agregação plaquetária.

Quais tipos de infecções são mais comuns na síndrome nefrótica?

Infecções por germes encapsulados, como Streptococcus pneumoniae, são mais comuns devido à perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento. A peritonite bacteriana espontânea também é uma complicação infecciosa frequente, especialmente em crianças.

Como a síndrome nefrótica afeta o perfil lipídico?

A síndrome nefrótica causa dislipidemia, caracterizada por hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia. Isso ocorre devido ao aumento da síntese hepática de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia e à diminuição da depuração de lipídios.

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